2 Samuel 18:9
“E Absalão se encontrou com os servos de David; e Absalão ia montado num mulo; e, entrando o mulo debaixo da espessura doe ramos de um grande carvalho, pegou-se-lhe a cabeça no carvalho, e ficou pendurado entre o céu e a terra: e o mulo, que estava debaixo dele, passou adiante.”
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O que este versículo diz
O momento decisivo chega quase por acaso. Absalão, cavalgando seu mulo, animal que era símbolo de realeza e pretensão ao trono, passa sob os galhos de um grande carvalho e sua cabeça fica presa na ramagem. O mulo segue adiante, e o príncipe permanece suspenso "entre o céu e a terra". A tradição judaica lembra que Absalão se orgulhava de sua cabeleira farta; a ironia de ficar preso justamente pela cabeça é difícil de ignorar.
A expressão "entre o céu e a terra" é carregada de sentido. Absalão, que quisera se erguer acima do pai e do próprio Deus, agora pende impotente, sem apoio no alto nem embaixo, abandonado até pela montaria que o carregava. Sua glória se torna sua armadilha. A cena adverte contra o orgulho que nos infla: aquilo de que mais nos vangloriamos pode ser exatamente o que nos aprisiona. A altivez que despreza os laços legítimos costuma acabar suspensa no vazio, sem raiz e sem sustento.