Cânticos 5:5

Cânticos 5:5
“Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos distilavam mirra, e os meus dedos gotejavam mirra sobre as aldrabas da fechadura.”
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O que este versículo diz

Finalmente a amada se levanta para abrir. Ao fazê-lo, suas mãos e dedos destilam mirra, que escorre sobre as aldravas da fechadura. A cena é sensorial e perfumada: a mirra, resina preciosa e aromática, evoca ao mesmo tempo beleza, amor e um leve travo de melancolia, pois era também usada em rituais de sepultamento no mundo antigo.

Há quem entenda que o próprio amado deixara o perfume à porta, sinal de sua passagem; outros leem o gesto como expressão do próprio desejo transbordante da amada. De um modo ou de outro, a mirra assinala que algo do amado permanece mesmo em sua ausência iminente. Para a vida, o versículo sugere que o amor deixa marcas e fragrâncias que perduram além do encontro. Aquilo que tocamos com afeto guarda um perfume; e, por vezes, só percebemos a preciosidade de uma presença quando ela já se prepara para partir, deixando apenas seu rastro perfumado.

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