Deuteronômio 15:11
“Pois nunca cessará o pobre do meio da terra: pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra.”
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“Pois nunca cessará o pobre do meio da terra: pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra.”
O que este versículo diz
Este versículo faz o realismo entrar em cena: "nunca cessará o pobre do meio da terra". Aparentemente ele contradiz o ideal do versículo 4, de que não haveria pobre em Israel. A tradição os concilia assim: a ausência de pobreza é o que Deus quer e o que aconteceria com obediência plena; a permanência do pobre é a constatação sóbria de que, num mundo marcado pela desobediência e pela cobiça, sempre haverá quem precise. Jesus citaria estas palavras não para justificar a resignação, mas dentro do mesmo espírito de cuidado permanente.
De fato, é justamente porque haverá pobres que o mandamento se repete: "livremente abrirás a tua mão". A persistência da pobreza não é desculpa para a inércia, mas motivo permanente para a generosidade. Para nós, este é um antídoto contra dois extremos: o utopismo que se frustra por não erradicar toda miséria, e o cinismo que, diante da mesma constatação, cruza os braços. O pobre sempre estará ali — e por isso a mão deve permanecer aberta.