Deuteronômio 19:6

Deuteronômio 19:6
“Para que o vingador do sangue não vá após o homicida, quando se esquentar o seu coração, e o alcançar, por ser comprido o caminho, e lhe tire a vida; porque não é culpado de morte, pois o não aborrecia dantes.”
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O que este versículo diz

Surge a figura do "vingador do sangue", o goel, parente próximo da vítima a quem cabia, na cultura da época, o dever de reparar a morte. O versículo descreve com honestidade psicológica o risco: o coração inflamado pela dor, a perseguição no calor da fúria, o perigo de que a distância longa até o refúgio custe a vida de um inocente. A lei não ignora a força bruta da emoção humana; procura contê-la sem negá-la.

O argumento é claro: aquele que matou sem intenção "não é culpado de morte", porque não havia ódio anterior. As cidades de refúgio funcionam, então, como um freio civilizatório à vingança em cadeia, tão comum nas sociedades antigas. Interrompem o ciclo em que sangue chama sangue. Para nós, há um espelho incômodo e salutar: quando a dor esquenta o coração, tendemos a confundir justiça com retaliação. Deus institui um espaço onde a razão possa alcançar a emoção antes que ela cometa um novo erro irreparável.

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