Deuteronômio 22:24
“Então tirareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis com pedras, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo: assim tirarás o mal do meio de ti”
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O que este versículo diz
Aqui a lei presume consentimento e pune ambos, e a razão dada — "porquanto não gritou na cidade" — precisa ser lida com cuidado e com consciência de seus limites. O raciocínio antigo supunha que, num lugar habitado, o grito por socorro seria ouvido e atendido; a ausência de clamor era interpretada como aquiescência. Sabemos hoje, com mais compreensão sobre o medo, a coação e o trauma, que esse critério é frágil e pode ser injusto. É honesto reconhecer essa limitação em vez de defendê-la.
O próprio texto, contudo, mostra que a lei está tentando distinguir vítima de cúmplice — e isso o versículo seguinte tornará explícito, absolvendo por completo a mulher forçada no campo. A intenção de fundo é boa, ainda que os instrumentos sejam os de sua época. Para o leitor de hoje, o texto serve mais como advertência do que como norma: mostra como é difícil e sério julgar em matéria tão delicada, e como a justiça verdadeira precisa proteger, acima de tudo, quem não teve como se defender.