Ester 6:9
“E entregue-se o vestido e o cavalo, à mão de um dos príncipes do rei, dos maiores senhores, e vistam dele aquele homem de cuja honra se agrada: e levem-no a cavalo pelas ruas da cidade, e apregôe-se diante dele: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!”
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O que este versículo diz
O pedido de Hamã culmina numa cena pública: um dos maiores príncipes deve conduzir o homem honrado pelas ruas da cidade, montado no cavalo real, enquanto se proclama diante dele a fórmula de exaltação. Hamã quer plateia, ruas cheias, um arauto anunciando sua grandeza a todos. A honra que imagina não é íntima nem discreta; é espetáculo, aplauso, olhar de multidão. Ele projeta o momento com tanto detalhe porque já se vê no centro dele.
A ironia, que o leitor pressente e Hamã ignora, é que cada palavra desse roteiro cuidadoso será executada à risca, mas em favor de Mardoqueu. O versículo expõe a fome de reconhecimento levada ao extremo. Há uma diferença sadia entre receber honra e buscar o palco a qualquer preço. Quando o valor de uma pessoa passa a depender do aplauso alheio, ela se torna refém das ruas, e o mesmo público que ergue pode, no dia seguinte, esquecer ou derrubar.