Êxodo 2:5
“E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas passeavam, pela borda do rio: e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua creada, e a tomou.”
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“E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas passeavam, pela borda do rio: e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua creada, e a tomou.”
O que este versículo diz
A cena vira com uma ironia notável. Quem desce ao rio é justamente a filha do faraó — a casa que decretou a morte dos meninos hebreus. Ela vem se banhar, acompanhada de suas servas, e avista a cesta entre os juncos. O narrador constrói o suspense: a mesma correnteza que deveria afogar o menino o conduz às mãos da mais improvável das protetoras. A princesa envia sua criada para buscar a cesta, sem saber ainda o que encontrará. Há aqui um traço que percorre toda a Bíblia: Deus age através de instrumentos inesperados, muitas vezes de fora do povo eleito, para cumprir seus propósitos. A opressão do palácio não teve a última palavra; do próprio coração do império brotará o resgate. Para quem lê hoje, é um lembrete de que a compaixão pode surgir onde menos se espera, e de que nenhum decreto humano, por mais poderoso, consegue fechar todas as portas por onde a graça se insinua.