Ezequiel 7:19
“A sua prata lançarão pelas ruas, e o seu ouro será como imundícia; nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do Senhor: não fartarão eles a sua alma, nem lhes encherão as entranhas, porque isto foi o tropeço da sua maldade”
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O que este versículo diz
O colapso do valor material é retratado com força chocante: prata jogada nas ruas, ouro tratado como "imundícia". No dia do furor, os metais preciosos não poderão "livrar" ninguém — não comprarão comida, não subornarão o inimigo, não saciarão a fome. "Não fartarão eles a sua alma, nem lhes encherão as entranhas": o ouro não se come. Pior, foi justamente esse apego, esse "tropeço da sua maldade", que os fez cair, provavelmente aludindo à ganância e à idolatria da riqueza.
Há aqui uma das críticas mais atuais do capítulo. A riqueza que se torna ídolo revela-se, na crise, completamente impotente. O que parecia segurança vira lixo nas mãos. Para o leitor de hoje, imerso numa cultura que quase adora o dinheiro, o versículo é um espelho severo e libertador ao mesmo tempo. Ele não condena os bens, mas desmascara a ilusão de que eles nos salvam. Diante das realidades últimas, só tem valor aquilo que o ouro não compra: a justiça, a comunhão com Deus e um coração que não fez do ter o seu deus.