Gênesis 47:18
“E acabado aquele ano, vieram a ele no segundo ano, e disseram-lhe: Não ocultaremos ao meu senhor que o dinheiro é acabado, e meu senhor possue os animais, e nenhuma outra coisa nos ficou diante da face de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra;”
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O que este versículo diz
Passado aquele ano, o povo retorna no segundo com uma confissão despojada: já não têm dinheiro nem gado, restando apenas "o nosso corpo e a nossa terra". A frase é de uma nudez impressionante. Eles chegaram ao osso da existência, reduzidos ao próprio corpo e ao chão que pisam. A fome continua, e o desespero atinge novo patamar. O narrador coloca essas palavras na boca do próprio povo, que reconhece a situação sem acusar José de injustiça, mas expondo com crueza a que ponto foram levados. É um dos momentos mais sombrios do relato, e a Escritura não o suaviza. Para o leitor, o versículo confronta a dura realidade de que existem sofrimentos que despojam a pessoa de tudo, exceto da própria vida. Diante de tamanha vulnerabilidade, cabe compaixão, não julgamento fácil. E cabe também gratidão sóbria por não estarmos nós, hoje, reduzidos a essa condição, além do compromisso de estender a mão a quem se encontra assim despojado de tudo.