Números 22:27
“E, vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão: e a ira de Balaão acendeu-se, e espancou a jumenta com o bordão.”
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Neste versículo
- PersonagensAnjo do Senhor, Balaão
O que este versículo diz
Encurralada, sem qualquer espaço para desviar, a jumenta faz a única coisa que lhe resta: deita-se sob Balaão. É um gesto de rendição total diante do anjo, mas também de proteção — o animal se recusa a avançar contra a espada. A ira de Balaão então explode; ele espanca a jumenta com o bordão, num terceiro castigo, o mais furioso de todos.
A cena atinge seu ponto máximo de ironia dramática. Balaão está possuído de raiva contra a criatura que, mais uma vez, acaba de salvar sua vida. Sua fúria é a de quem perdeu completamente o controle da situação e desconta no inocente a própria impotência. O contraste é gritante: o animal age com sabedoria e o homem, com cegueira violenta. Toda a pretensa superioridade espiritual de Balaão se dissolve nesse acesso de cólera desmedida. O leitor reconhece, com certo constrangimento, a própria imagem: quantas vezes nossa ira contra circunstâncias e pessoas é, no fundo, revolta contra limites que Deus colocou para nosso bem. A violência de Balaão prepara o terreno para a repreensão extraordinária que virá — e que sairá, incrivelmente, da boca do próprio animal.