Números 22:30
“E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? costumei eu alguma vez de fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.”
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- Quem falaa jumenta
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O que este versículo diz
A jumenta prossegue com uma argumentação de notável sabedoria. Ela apela para a história de fidelidade que os une: não é ela a mesma montaria que Balaão cavalgou a vida inteira? Alguma vez costumou agir assim? A pergunta é irrespondível, e Balaão é forçado a admitir: "Não". O animal venceu o argumento pela evidência de um longo passado de serviço fiel.
O raciocínio é impecável e desarmante. Se um servo fiel de tantos anos, de repente, age de modo estranho, a conclusão sábia não é castigá-lo, mas suspeitar que algo extraordinário está acontecendo. A jumenta convida Balaão a interpretar seu comportamento anômalo como sinal, não como afronta. E ele, ainda que a contragosto, reconhece a verdade dos fatos. Esse "não" é a primeira rachadura em sua cegueira — o momento em que ele começa, minimamente, a admitir que talvez não esteja compreendendo a situação. Para o leitor, há uma lição preciosa: quando alguém ou algo de comprovada fidelidade age de modo inesperado, vale a pena perguntar o que Deus pode estar sinalizando, em vez de reagir com punição apressada.