Rute 1:20
“Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamae-me Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso.”
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“Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamae-me Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo-poderoso.”
O que este versículo diz
Noemi responde à comoção da cidade com um pedido pungente: "Não me chameis Noemi; chamai-me Mara". O contraste é intencional e amargo. Noemi significa "agradável", "doçura"; Mara significa "amarga". Ela sente que seu próprio nome não corresponde mais à sua realidade. E atribui essa amargura ao "Todo-poderoso", em hebraico Shaddai, título antigo de Deus associado ao Seu poder soberano.
É importante notar que Noemi não renega a Deus; pelo contrário, ela o coloca no centro de sua narrativa de dor. Sua queixa é dirigida a Ele, não contra Ele em negação. Essa é a linguagem honesta da fé sofredora, que encontra eco em Jó e nos Salmos de lamento. Para o leitor que atravessa a amargura, há um consolo profundo em ver que a Escritura não exige sorrisos forçados. Podemos levar nossa dor real diante de Deus. E a ironia sagrada é que a mulher que se rebatiza como "amarga" está, sem saber, no limiar da doçura que a graça lhe reservava.