Apocalipse 18:19
“E lançaram pó sobre as suas cabeças, e clamaram, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! na qual todos os que tinham náos no mar se enriqueceram da sua opulência; porque numa hora foi assolada.”
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O que este versículo diz
O luto atinge sua expressão mais dramática. Os navegantes lançam pó sobre a cabeça, gesto tradicional de dor profunda no mundo bíblico, e repetem o refrão "Ai, ai daquela grande cidade", já ouvido dos reis e dos mercadores. A tríplice repetição do lamento, por três grupos diferentes, dá ao capítulo o ritmo solene de um canto fúnebre.
Novamente a razão do choro é o dinheiro: nela "se enriqueceram da sua opulência", e agora tudo se perdeu "numa hora". A insistência nessa expressão temporal é deliberada. A prosperidade que parecia sólida provou-se efêmera. Todos os três lamentos partilham a mesma cegueira: choram a riqueza perdida, jamais a injustiça cometida. Para o leitor, esse coro de prantos egoístas é um espelho incômodo. É possível estar cercado de lágrimas sinceras e, ainda assim, chorar pelas razões erradas. Deus nos convida a um luto diferente — o que se compadece do sofrimento alheio e se arrepende do próprio pecado, e não o que apenas lamenta o fim do conforto.