Mateus 27:23
“O presidente, porém, disse: Pois que mal tem feito? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.”
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“O presidente, porém, disse: Pois que mal tem feito? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.”
O que este versículo diz
Pilatos ensaia uma última resistência: "Pois que mal tem feito?". É a pergunta lógica de quem não encontra crime algum para justificar tamanha pena. Mas a razão já não tem mais espaço; a multidão apenas "mais clamava", repetindo o grito da crucificação. O tumulto substituiu o argumento, e o clamor cresce como uma onda que não se pode conter.
O contraste é revelador: de um lado, uma pergunta que ninguém responde porque não há resposta — Jesus não fez mal nenhum; de outro, um brado cego que se alimenta de si mesmo. Quando as multidões se inflamam, deixam de ouvir a voz da justiça. Para o leitor, há um alerta sobre a violência coletiva e a força perigosa dos gritos que abafam a razão. E há também um chamado à coragem serena de Pilatos, que ele infelizmente não levou até o fim: fazer a pergunta certa não basta se, diante da pressão, faltar a firmeza de manter a resposta justa. Perguntar é fácil; permanecer fiel à verdade é que custa.