Novena à Exaltação da Santa Cruz

A Cruz gloriosa de Cristo, sinal da salvação e vitória sobre o pecado e a morte · Festa: 14 de setembro

A festa da Exaltação da Santa Cruz celebra o madeiro sagrado em que o Senhor Jesus consumou a redenção do mundo. Aquilo que era instrumento de suplício e vergonha tornou-se, pelo sangue de Cristo, trono de glória e árvore da vida. A tradição recorda o achado da verdadeira Cruz por Santa Helena, mãe do imperador Constantino, e a solene dedicação da basílica erguida no Calvário, onde o povo cristão passou a venerar e exaltar o sinal da nossa salvação.

Rezamos esta novena para adorar o mistério da Cruz e reconhecer nela o preço do nosso resgate. Diante das próprias cruzes, o cristão aprende a não fugir do sofrimento, mas a uni-lo ao de Cristo, fazendo dele caminho de purificação e de amor. Pela Santa Cruz pedimos força na tribulação, vitória contra o inimigo, perdão dos pecados e a graça de perseverar fiéis até o fim.

Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem 14 de setembro, ou em qualquer tempo de provação em que o coração precise abraçar a Cruz. Reze com fé, de preferência diante de um crucifixo, contemplando cada dia um fruto da Paixão do Senhor, e conclua unindo suas intenções ao sacrifício redentor do Salvador.

Como rezar esta novena

  1. Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
  2. Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
  3. Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
  4. Encerre com a Oração final.

Orações de todos os dias

Oração inicial

Ó Deus, que na Cruz do vosso Filho Jesus quisestes salvar o gênero humano, vinde em nosso auxílio e abri o nosso coração ao mistério da redenção. Concedei-nos, ao longo desta novena, contemplar com fé viva o madeiro glorioso onde brotou a nossa salvação. Que a Santa Cruz seja luz na escuridão, força na fraqueza e esperança na dor. Ensinai-nos a carregar cada dia a nossa cruz e a segui-Vos com amor generoso e fiel. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Oração final

Ó Cristo crucificado, nós Vos adoramos e bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo. Recebei as intenções que Vos confiamos nesta novena e concedei-nos os frutos da vossa Paixão. Fazei-nos fiéis até o fim, para que, participando da Cruz, participemos também da vossa ressurreição gloriosa. Amém.

Os 9 dias da novena

1º dia — A Cruz, árvore da vida

Contemplamos hoje a Santa Cruz como a nova árvore da vida, plantada no centro do mundo pelo amor do Pai. Se por um lenho, no Éden, entrou a morte no coração dos homens, foi por outro lenho, no Calvário, que a vida nos foi restituída. Naquele madeiro maldito o Senhor transformou a maldição em bênção, e o que era sinal de morte tornou-se fonte de graça. Diante da Cruz de Cristo aprendemos que nenhum sofrimento é estéril quando oferecido com fé, pois o próprio Deus quis fazer do abandono um trono de glória. Que a nossa vida se enraíze neste madeiro sagrado, de onde jorra a seiva da eternidade. Senhor crucificado, ensinai-nos a olhar para a vossa Cruz como fonte de vida, e concedei-nos, por vossa infinita misericórdia, a graça que humildemente Vos pedimos nesta novena.

2º dia — O achado da verdadeira Cruz

Hoje recordamos Santa Helena, que, movida por ardente devoção, buscou e encontrou o madeiro sagrado onde o Salvador foi imolado. Aquilo que os homens tinham escondido e desprezado, Deus quis manifestar como tesouro do céu, para que todas as gerações o venerassem. O achado da verdadeira Cruz nos ensina que o Senhor jamais permite que se perca o sinal do seu amor, e que a fé perseverante sempre encontra Cristo, mesmo quando o mundo o quer sepultar no esquecimento. Peçamos a graça de procurar sempre o Senhor com o mesmo zelo, de nunca envergonhar-nos da sua Cruz e de reconhecê-la como o maior dos tesouros. Ó Deus, que revelastes a vossa Cruz aos que Vos buscam de coração sincero, concedei-nos descobrir em nossa vida o valor infinito da redenção, e atendei ao pedido que agora Vos apresentamos com humildade e confiança.

3º dia — A Cruz, vitória sobre o pecado

Na Cruz, o Cordeiro sem mancha tomou sobre si os pecados do mundo e destruiu o poder do mal. O que parecia derrota foi, na verdade, o triunfo mais completo, pois ali o amor venceu o ódio e a misericórdia venceu a culpa. Cada gota do sangue derramado apagou a dívida que nos separava de Deus e abriu as portas do perdão. Ao contemplar o Senhor pregado no madeiro, reconheçamos que fomos comprados por alto preço e que a nossa liberdade custou a vida do Filho de Deus. Que a lembrança da Cruz nos afaste do pecado e nos incline à conversão sincera. Ó Jesus, vencedor do pecado, purificai o nosso coração de toda mancha, quebrai as cadeias que nos prendem ao mal e concedei-nos, por vossa Paixão redentora, a graça particular que nesta novena Vos suplicamos.

4º dia — A Cruz, força na tribulação

Quando as provações nos oprimem e a dor parece maior do que as forças, a Santa Cruz se ergue diante de nós como âncora firme e segura. O Senhor não nos prometeu um caminho sem sofrimento, mas prometeu caminhar conosco em cada carga que carregamos. Contemplando aquele que suportou a agonia por amor de nós, encontramos coragem para não desanimar e para perseverar na esperança. A Cruz não nos poupa do peso, mas o transforma em ocasião de graça e de crescimento interior. Nela aprendemos que o Senhor está mais perto justamente quando o coração parece esmagado. Ó Cristo paciente e forte, sustentai-nos nas horas de aflição, dai-nos ombros firmes para carregar a nossa cruz e não permitais que jamais desanimemos. Atendei, por vossa bondade, à súplica que hoje Vos dirigimos com fé perseverante.

5º dia — A Cruz, escola de humildade

O Rei da glória escolheu a Cruz como cátedra para nos ensinar a humildade que o mundo despreza. Ele, sendo Deus, esvaziou-se, tomou a forma de servo e obedeceu até a morte, e morte de cruz. Diante de tamanho abaixamento, como poderíamos ainda alimentar o orgulho, a vaidade e o desejo de nos elevar acima dos irmãos? A Santa Cruz nos convida a descer de nós mesmos, a servir com amor e a aceitar o último lugar por amor ao Senhor. Só o humilde compreende o mistério do madeiro sagrado e nele encontra a verdadeira grandeza. Ó Jesus manso e humilde de coração, arrancai de nós toda soberba e ensinai-nos a mansidão do vosso exemplo. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso e concedei-nos, por vossa humilde obediência na Cruz, a graça que confiadamente Vos pedimos.

6º dia — A Cruz, sinal contra o inimigo

O sinal da Cruz é temido pelas forças das trevas, porque nele o Senhor esmagou a cabeça do antigo adversário. Quando traçamos sobre nós o santo sinal, proclamamos que pertencemos a Cristo e que estamos protegidos pelo seu sangue precioso. O inimigo foge diante do madeiro glorioso, pois ali foi derrotado para sempre e despojado de todo poder sobre os que confiam no Salvador. Que nunca deixemos de nos armar com este escudo invencível, invocando a proteção da Santa Cruz contra as tentações, os enganos e os assaltos do maligno. Ó Cristo vitorioso, defendei-nos pelo poder da vossa Cruz de todo mal e de toda ciladas do inimigo. Cobri com o vosso sangue a nossa casa e a nossa família, e concedei-nos, por vossa vitória no Calvário, a graça que nesta novena humildemente Vos suplicamos.

7º dia — A Cruz, fonte de perdão

Do alto do madeiro, em meio à dor mais profunda, o Senhor pronunciou palavras de misericórdia e perdoou aqueles que o crucificavam. A Cruz é assim a fonte inesgotável do perdão, o lugar onde a justiça e a misericórdia se abraçam e onde o pecador encontra reconciliação. Ninguém está tão perdido que não possa ser alcançado pela graça que jorra do Coração aberto de Cristo. Contemplando o Senhor que perdoa, somos convidados a também perdoar de coração aqueles que nos ofenderam, para que a misericórdia recebida se transforme em misericórdia partilhada. Ó Jesus, que na Cruz perdoastes os vossos algozes, dai-nos um coração capaz de perdoar sem medida e livrai-nos de todo rancor. Concedei-nos a graça da verdadeira reconciliação e atendei, por vossa misericórdia infinita, ao pedido que hoje Vos apresentamos.

8º dia — A Cruz e a Virgem Dolorosa

Junto à Cruz do Filho permaneceu de pé Maria, a Mãe das dores, unindo o seu coração traspassado ao sacrifício do Redentor. Ela não fugiu na hora da provação, mas ficou firme, oferecendo o próprio sofrimento em silêncio e amor. Da Cruz, o Senhor nos deu Maria por Mãe, para que ela nos ensine a permanecer fiéis nas horas escuras e a abraçar a vontade de Deus. Aprendemos com a Virgem Dolorosa a converter a dor em oferta e a esperança em fidelidade. Ninguém compreendeu tão profundamente o mistério da Cruz como aquela que gerou o Crucificado. Ó Maria, Mãe da Cruz, ensinai-nos a permanecer junto de Jesus nas tribulações e a oferecer as nossas dores unidas às vossas. Alcançai-nos do vosso Filho a graça de sermos fiéis e obtende para nós o favor que nesta novena imploramos.

9º dia — A Cruz, glória e esperança

No fim desta novena, exaltamos a Santa Cruz como o penhor da nossa glória futura. Aquele madeiro que foi sinal de morte tornou-se anúncio da ressurreição, porque, depois da Cruz, veio a vitória sobre o sepulcro. Quem participa dos sofrimentos de Cristo participará também da sua glória, e a Cruz que hoje carregamos se transformará em coroa. Por isso, não olhamos para o madeiro com tristeza, mas com esperança viva, sabendo que nele está a promessa da vida eterna. Que a Cruz seja o nosso orgulho e a nossa segurança, o sinal sob o qual venceremos. Ó Cristo ressuscitado, que pela Cruz nos abristes o caminho do céu, fortalecei a nossa esperança e conduzi-nos à glória prometida. Concedei-nos, por vossa Santa Cruz gloriosa, a graça que ao longo destes nove dias com confiança Vos pedimos, e a vida eterna no vosso Reino.

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