Novena de Nossa Senhora da Salette

A aparição da Virgem que chorou em La Salette; graça de reconciliação e conversão · Festa: 19 de setembro

Em 19 de setembro de 1846, numa montanha dos Alpes franceses chamada La Salette, a Virgem Santíssima apareceu a dois humildes pastorinhos, Maximino e Melânia. Sentada e chorando, com o rosto banhado em lágrimas, ela lamentou o abandono da fé, a profanação do dia do Senhor e a irreverência ao nome de Deus. Aquele choro materno não era condenação, mas apelo urgente à conversão de um povo que se afastava do Céu.

Rezamos esta novena para acolher o convite da Reconciliadora dos pecadores, que veio chamar os corações endurecidos de volta a Deus. Suas lágrimas revelam quanto o pecado fere o amor divino e quanto a Mãe intercede para que ninguém se perca. Recorrer a ela é pedir a graça da penitência sincera, o gosto pela oração, o respeito ao domingo e a força para reconciliar-se com Deus e com os irmãos.

Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem a festa de 19 de setembro, ou em qualquer tempo em que se deseje um coração novo. Procure um lugar de silêncio, contemple a imagem da Virgem que chora, reze a oração inicial, medite o tema do dia com a súplica proposta e termine com a oração final, dispondo-se à verdadeira conversão do coração.

Como rezar esta novena

  1. Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
  2. Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
  3. Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
  4. Encerre com a Oração final.

Orações de todos os dias

Oração inicial

Ó Virgem Reconciliadora de La Salette, Mãe que chorastes por amor aos pecadores, eu me aproximo de vós com o coração arrependido. Vós que descestes da montanha para chamar o vosso povo à conversão, tocai também a minha alma e libertai-me daquilo que me afasta de Deus. Alcançai-me lágrimas de verdadeira penitência e o desejo sincero de emenda. Reconciliai-me com o vosso Filho e com os meus irmãos, e apresentai a Deus a graça que humildemente vos peço nesta novena. Amém.

Oração final

Nossa Senhora da Salette, Reconciliadora dos pecadores, acolhei estas súplicas e conduzi-nos à conversão sincera. Fazei-nos amar a oração, respeitar o dia do Senhor e reverenciar o santo nome de Deus. Enxugai as vossas lágrimas com o nosso arrependimento e alcançai-nos a paz com Deus e com os irmãos. Amém.

Os 9 dias da novena

1º dia — 1. A Virgem que chora

Os pastorinhos viram a Senhora sentada, com o rosto entre as mãos, chorando. Aquelas lágrimas não eram fraqueza, mas o pranto de uma Mãe que vê os filhos caminhando para longe da salvação. O choro de Maria é a medida do amor de Deus e da gravidade do pecado, que muitas vezes já não sabemos reconhecer. Diante daquele pranto, somos convidados a examinar quanto os nossos descuidos ferem o coração do Céu. Não podemos permanecer indiferentes a quem tanto se comove por nós. Ó Virgem da Salette, tocai o meu coração endurecido e fazei que eu compreenda o mal que o pecado causa. Dai-me lágrimas sinceras de arrependimento e o desejo de consolar-vos com a minha conversão. Que o vosso pranto materno não seja em vão na minha vida. Alcançai-me a graça de reconhecer as minhas faltas e de me converter de verdade, começando pelo pedido que hoje vos apresento.

2º dia — 2. O apelo à conversão

Em La Salette a Virgem não veio condenar, mas chamar de volta os que se haviam extraviado. Seu recado foi um convite à mudança de vida, à penitência e ao retorno ao Deus vivo. A conversão que ela pede não é apenas evitar grandes pecados, mas voltar todo o coração para o Senhor, em cada escolha do dia. Muitas vezes adiamos essa decisão, como se o tempo fosse infinito. A Mãe nos lembra que agora é o tempo favorável para recomeçar. Ó Reconciliadora dos pecadores, despertai em mim o desejo sincero de mudar de vida. Arrancai do meu coração a tibieza e a preguiça espiritual que me acomodam no pecado. Dai-me coragem para deixar o que me afasta de Deus e para trilhar o caminho da santidade. Alcançai-me a graça de uma conversão verdadeira e duradoura, e não apenas passageira, junto com o pedido que hoje vos confio.

3º dia — 3. O respeito ao dia do Senhor

A Virgem lamentou que o domingo, dia consagrado a Deus, fosse tratado como qualquer outro, cheio de trabalho e vazio de oração. O dia do Senhor é dom precioso: tempo para descansar em Deus, participar da Santa Missa e renovar as forças da alma. Quando o desprezamos, perdemos a fonte que sustenta toda a semana. A Mãe nos recorda que sem esse encontro semanal a fé esfria e o coração se dispersa. Santificar o domingo é reconhecer que Deus vem primeiro. Ó Senhora da Salette, ensinai-me a guardar com amor o dia do Senhor. Livrai-me da pressa e do apego ao trabalho que me roubam o tempo de Deus. Fazei da minha participação na Missa um encontro vivo com Jesus. Alcançai-me a graça de santificar cada domingo e de conduzir também a minha família a esse descanso sagrado, junto com o pedido que hoje deponho em vosso coração.

4º dia — 4. A reverência ao santo nome de Deus

Entre suas queixas, a Virgem chorou porque o nome de seu Filho era pronunciado com desprezo e blasfêmia. O nome de Deus é santo e deve ser dito com respeito, amor e adoração, nunca em vão ou com raiva. Quando o profanamos, perdemos o sentido do sagrado e nos afastamos da reverência devida ao Criador. A Mãe nos ensina a repor esse nome no lugar de honra que lhe pertence. Louvar em vez de blasfemar é já um caminho de conversão. Ó Virgem da Salette, purificai os meus lábios de toda palavra irreverente. Dai-me o hábito de invocar o nome de Deus com amor e de repará-lo onde for ofendido. Fazei que a minha boca seja fonte de bênção e não de maldição. Alcançai-me a graça de honrar sempre o santo nome do Senhor e de ensinar aos outros o mesmo respeito, junto com o pedido que hoje vos apresento.

5º dia — 5. O amor à oração

A Virgem lamentou que poucos rezassem, e menos ainda o fizessem de coração. A oração é a respiração da alma: sem ela a fé definha e o coração se esvazia de Deus. Rezar não é peso, mas encontro amoroso com o Pai que nos escuta. A Mãe da Salette nos convida a reservar cada dia um tempo fiel para a oração, na alegria e na dificuldade. Quem reza mantém acesa a lâmpada da fé no meio das trevas do mundo. Ó Reconciliadora, ensinai-me a amar a oração e a nunca abandoná-la. Dai-me perseverança nas horas de aridez, quando rezar parece inútil, e confiança de que Deus sempre me ouve. Fazei da minha oração um diálogo sincero e constante com o vosso Filho. Alcançai-me a graça de rezar com o coração e de fazer da oração o alicerce da minha vida, junto com o pedido que hoje vos confio.

6º dia — 6. A penitência e o jejum

A mensagem de La Salette recorda o valor da penitência e do sacrifício oferecidos a Deus em reparação pelos pecados. Renunciar a si mesmo, jejuar e fazer pequenos sacrifícios são modos concretos de mostrar arrependimento e de fortalecer a vontade contra o mal. Não se trata de sofrer por sofrer, mas de amar mais e apegar-se menos. A Mãe nos ensina que sem alguma renúncia a conversão fica só nas palavras. O corpo dominado ajuda a alma a servir a Deus. Ó Virgem da Salette, dai-me espírito de penitência e desejo sincero de reparar as minhas culpas. Ensinai-me a oferecer pequenos sacrifícios com amor e sem alarde, em favor da minha alma e das almas dos pecadores. Livrai-me da vida cômoda que sufoca o fervor. Alcançai-me a graça de unir a minha penitência à cruz de Cristo e de crescer no domínio de mim mesmo, junto com o pedido que hoje deponho em vosso coração.

7º dia — 7. A reconciliação com os irmãos

A verdadeira conversão não se completa sem a reconciliação com o próximo. De nada vale voltar a Deus mantendo o coração cheio de rancor, mágoas e divisões. A Mãe da Salette, Reconciliadora dos pecadores, quer nossos lares e comunidades curados das feridas do orgulho e da falta de perdão. Perdoar quem nos ofendeu e pedir perdão a quem ofendemos é imitar a misericórdia do próprio Deus. A paz com os irmãos é sinal de que a paz com Deus é sincera. Ó Reconciliadora, arrancai do meu coração todo ressentimento e desejo de vingança. Dai-me a humildade de pedir perdão e a generosidade de perdoar de verdade. Reconciliai as famílias divididas e restaurai os laços rompidos. Alcançai-me a graça de viver em paz com todos e de ser instrumento de reconciliação onde houver discórdia, junto com o pedido que hoje vos apresento.

8º dia — 8. A esperança na misericórdia

Apesar das lágrimas e das advertências, a mensagem de La Salette é sobretudo de esperança: Deus deseja perdoar e salvar. A Virgem chora não para nos desesperar, mas para nos mover ao arrependimento que abre as portas da misericórdia. Nenhum pecado é grande demais para o perdão de Deus quando o coração se converte. A Mãe nos garante que a conversão nunca é tarde enquanto houver vida. Confiar nessa misericórdia é a força de todo recomeço. Ó Virgem da Salette, afastai de mim o desânimo e a falsa ideia de que já não há remédio para as minhas faltas. Encorajai-me a buscar o sacramento da Reconciliação com confiança e a recomeçar sempre. Fazei-me anunciar aos outros que Deus é rico em misericórdia. Alcançai-me a graça de nunca duvidar do perdão divino e de recorrer a ele sem demora, junto com o pedido que hoje vos confio.

9º dia — 9. Mensageiros da conversão

A Virgem confiou aos pastorinhos uma missão: fazei passar isto a todo o meu povo. A mensagem de La Salette não é só para nós, mas para ser levada aos outros com a palavra e o exemplo. Ao término desta novena, somos enviados como testemunhas da conversão, no lar, no trabalho e entre os que se afastaram. Nossa própria mudança de vida é o primeiro anúncio. Quem foi tocado pela graça não pode guardá-la só para si. Ó Reconciliadora dos pecadores, fazei de mim um mensageiro do vosso apelo à conversão. Dai-me coragem de testemunhar a fé com humildade e de conduzir a Deus os que estão longe. Consolai o vosso Filho com a salvação de muitas almas. Alcançai-me, enfim, a perseverança na vida nova que aqui prometo e a graça que durante estes nove dias vos supliquei, para louvor de Deus e bem das almas.

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