Novena de Nossa Senhora das Dores
Contemplação das Sete Dores de Maria; consolo e força na dor e no sofrimento · Festa: 15 de setembro
A devoção a Nossa Senhora das Dores nasce da contemplação do coração de Maria traspassado pela espada anunciada por Simeão. A Igreja recolheu em sete momentos as maiores dores da Mãe do Salvador, do exílio no Egito até a sepultura do Filho, e nelas reconheceu o modelo perfeito de quem sofre unida a Cristo sem perder a fé. Chamá-la de Senhora das Dores é confessar que ela permaneceu firme junto à cruz quando quase todos fugiram.
Rezamos esta novena para pedir consolo naquilo que nos fere por dentro: as perdas, as doenças, as angústias da família e as feridas que ninguém vê. Aquela que suportou a maior das dores sabe enxugar as nossas lágrimas e nos ensina a oferecer o sofrimento em silêncio, transformando-o em oração e em amor. Quem se aproxima da Mãe das Dores aprende a não desesperar.
Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem a festa de 15 de setembro, ou em qualquer tempo de aflição. Reserve um momento de silêncio a cada dia, acenda uma vela diante da imagem da Virgem, reze a oração inicial, medite o tema do dia com sua súplica e conclua com a oração final, confiando à Mãe aquilo que mais lhe pesa no coração.
Dia 1 de 9
Como rezar esta novena
- Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
- Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
- Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
- Encerre com a Oração final.
Orações de todos os dias
Oração inicial
Virgem Santíssima das Dores, Mãe traspassada pela espada da paixão, eu me aproximo do vosso coração dolorido buscando amparo. Vós que permanecestes de pé junto à cruz, ensinai-me a suportar as minhas dores com fé e a oferecê-las unidas às de Jesus. Recebei a súplica que hoje vos apresento e alcançai-me a graça que humildemente vos peço. Sob a vossa proteção me refugio, Mãe da Piedade, e ao vosso Filho me entrego. Amém.
Oração final
Nossa Senhora das Dores, Rainha dos Mártires, acolhei a oração destes dias e apresentai-a a vosso Filho. Consolai os aflitos, sustentai os que choram e dai-nos perseverança até o fim. Que unidos ao vosso coração doloroso alcancemos a alegria da ressurreição. Amém.
Os 9 dias da novena
1º dia — 1. A profecia de Simeão
No templo, quando Maria apresentava o Menino, o velho Simeão anunciou que uma espada lhe traspassaria a alma. Desde aquela hora a Virgem carregou dentro de si a sombra da cruz, sem recuar diante do que Deus lhe pedia. Ela aprendeu a guardar no coração aquilo que não compreendia, entregando-se por inteiro à vontade do Pai. Quantas vezes também nós recebemos um anúncio de dor e nos revoltamos ou fugimos. Contemplando a serenidade de Maria, pedimos coragem para aceitar as espadas que a vida nos reserva. Ó Mãe traspassada, ensinai-me a não fugir da minha cruz nem a murmurar contra os desígnios de Deus. Dai-me um coração dócil, que saiba dizer sim mesmo quando a promessa vem envolta em sofrimento. Alcançai-me a graça de guardar a fé no meio da provação que hoje vos confio.
2º dia — 2. A fuga para o Egito
Avisada da fúria de Herodes, a Sagrada Família partiu de noite para uma terra estrangeira, deixando tudo para salvar a vida do Menino. Maria conheceu o desabrigo, o medo e a incerteza do exílio, sem saber quando poderia voltar. Ainda assim confiou, pois onde estava Jesus estava o seu lar. Muitos hoje vivem esse mesmo desamparo: os que fogem, os que perderam a casa, os que se sentem estrangeiros até entre os seus. A Mãe peregrina caminha ao lado de todos eles. Ó Senhora das Dores, que carregastes o vosso Filho por caminhos perigosos, sede refúgio dos que não têm segurança nem descanso. Protegei as famílias ameaçadas e dai-me a certeza de que, tendo Jesus comigo, nenhum exílio me separa de Deus. Guardai-me na fé quando tudo em redor parecer instável e alcançai-me o abrigo que hoje vos peço.
3º dia — 3. A perda do Menino no templo
Durante três dias Maria e José procuraram o Menino perdido, com o coração angustiado, até encontrá-lo no templo entre os doutores. A Virgem experimentou a dor de quem busca sem encontrar e o peso das horas de silêncio de Deus. Ela não desistiu de procurar, e a busca terminou na casa do Pai. Também nós vivemos tempos em que Deus parece ausente e a oração parece cair no vazio. A Mãe nos ensina a perseverar na procura, confiando que o Senhor jamais se esconde para sempre. Ó Maria, que sofrestes a ausência do vosso Filho, socorrei os que se sentem longe de Deus e não sabem onde encontrá-lo. Reavivai a minha esperança nas horas escuras e conduzi-me de volta ao coração de Jesus. Alcançai-me a graça de nunca abandonar a busca de Deus, por maior que seja a angústia que hoje deponho em vossas mãos.
4º dia — 4. O encontro com Jesus a caminho do Calvário
No caminho da cruz, entre a multidão e os soldados, os olhos da Mãe cruzaram os olhos do Filho ferido. Nenhuma palavra foi dita, mas naquele olhar Maria abraçou toda a paixão de Jesus e ofereceu-se com ele. Foi um encontro de amor no auge da dor, sem gestos que pudessem aliviar o sofrimento um do outro. Assim é o amor verdadeiro: permanece presente ainda quando nada pode fazer senão acompanhar. Quantos doentes e sofredores precisam apenas de alguém que não os abandone. Ó Mãe das Dores, dai-me a fidelidade de permanecer junto de quem sofre, mesmo sem poder tirar-lhe a cruz. Ensinai-me a olhar para Jesus crucificado nos que padecem ao meu redor. Alcançai-me a graça de nunca abandonar quem precisa de mim e a coragem de acompanhar até o fim aqueles que hoje confio a vós.
5º dia — 5. Maria ao pé da cruz
Enquanto quase todos fugiam, Maria permaneceu de pé junto à cruz, firme na fé e no amor. Não desmaiou nem se rebelou: ofereceu ao Pai o próprio Filho e uniu o seu coração ao sacrifício da redenção. Ali recebeu-nos como filhos, quando Jesus a entregou ao discípulo amado. A Mãe que esteve firme na maior das provações é agora nossa força nas noites da fé. Diante das perdas que parecem insuportáveis, ela nos ensina a permanecer de pé, sem fugir da dor nem duvidar do amor de Deus. Ó Virgem forte, dai-me a firmeza de ficar junto à cruz quando tudo em mim quiser fugir. Sustentai-me nas horas em que a fé parece apagar-se e transformai a minha dor em oferta de amor. Alcançai-me a graça de perseverar com fidelidade na provação que hoje coloco aos pés da vossa cruz.
6º dia — 6. Jesus descido dos braços da Mãe
Descido da cruz, o corpo do Salvador foi colocado nos braços de Maria. A Mãe recebeu o Filho morto, apertou contra o peito aquele que embalara em Belém e beijou as chagas abertas por nossa salvação. Nesse abraço silencioso a dor tornou-se ainda mais profunda, mas nunca desespero. Maria continuou a crer que aquele sacrifício não seria em vão. Também nós, diante da morte dos que amamos, somos chamados a entregar tudo a Deus com esperança na vida eterna. Ó Mãe da Piedade, que acolhestes o corpo do vosso Filho com tanto amor, consolai os que choram a perda de alguém querido. Enxugai as lágrimas de quem sofre o luto e enchei os corações de esperança na ressurreição. Alcançai-me a graça de confiar, mesmo diante da morte, que Deus não abandona os seus, e recebei em vossos braços aqueles que hoje vos entrego.
7º dia — 7. O sepultamento do Senhor
Selado o túmulo, Maria voltou em silêncio, guardando no coração a promessa da ressurreição. Tudo parecia terminado, mas ela não deixou morrer a esperança; velou na fé aquilo que os olhos não podiam ver. Foi a primeira a esperar, na noite de sábado, o amanhecer da Páscoa. A Mãe das Dores nos ensina que o sofrimento não é a última palavra e que a fidelidade na escuridão prepara a alegria. Quando tudo em nossa vida parece sepultado, ela nos convida a esperar contra toda esperança. Ó Senhora das Dores, que aguardastes em silêncio a vitória do vosso Filho, sustentai a minha esperança quando tudo parecer perdido. Ensinai-me a esperar o amanhecer nas horas mais escuras e a crer que da cruz nasce a vida. Alcançai-me a graça da perseverança final e apresentai a vosso Filho o pedido que ao longo destes dias vos confiei.
8º dia — 8. Rainha dos Mártires e consolo dos aflitos
Por ter partilhado tão de perto a paixão de Cristo, Maria é aclamada Rainha dos Mártires e consoladora dos que sofrem. Ninguém sofreu como ela, e por isso ninguém compreende melhor a nossa dor. A quem chora, ela oferece o próprio colo; a quem se sente só, oferece a companhia de mãe. Recorrer a ela nas tribulações é encontrar quem nunca despreza uma súplica. A Igreja aprendeu a chamá-la refúgio dos pecadores e alívio dos atribulados. Ó Rainha dos Mártires, olhai para os que hoje padecem no corpo e na alma e derramai sobre eles o vosso consolo. Sede amparo dos doentes, dos abandonados e dos que perderam a esperança. Ensinai-me a levar até vós as minhas aflições com confiança de filho. Alcançai-me a graça de ser também consolo para os que sofrem ao meu lado e atendei o pedido que agora deponho em vosso coração.
9º dia — 9. Oferecer com Maria as próprias dores
Ao fim desta novena, contemplamos toda a vida de Maria como uma oferta contínua unida à de Jesus. Ela nos ensina o segredo mais precioso: que a dor oferecida com amor se torna semente de graça e caminho de salvação. Nada do que sofremos se perde quando é entregue a Deus junto ao coração da Mãe. Assim, as nossas lágrimas se transformam em oração e as nossas cruzes em participação na redenção. Quem aprende a sofrer com Maria já não sofre sozinho nem sem sentido. Ó Mãe das Dores, ensinai-me a oferecer cada sofrimento em união com a paixão do vosso Filho. Tomai as minhas dores, purificai-as e apresentai-as a Deus como oferta agradável. Fazei que eu nunca desperdice uma cruz nem me feche à graça que dela pode nascer. Alcançai-me, enfim, a graça que durante estes nove dias vos supliquei, se for para o bem da minha alma.