Novena de Santa Catarina de Sena
Doutora da Igreja e padroeira da Europa; conselho e coragem na fé · Festa: 29 de abril
Santa Catarina de Sena nasceu em 1347, na Itália, e desde menina se consagrou a Cristo, ingressando depois entre as terceiras dominicanas. Vivendo em profunda intimidade com o Senhor, uniu à mais alta contemplação um extraordinário serviço aos pobres e enfermos. Deus a fez instrumento de paz e de reforma na Igreja, e ela chegou a interceder junto ao Papa pelo retorno a Roma. Deixou escritos de rara profundidade, entre eles o Diálogo da Divina Providência. Foi proclamada Doutora da Igreja e padroeira da Europa.
Rezamos esta novena para pedir a Santa Catarina a graça da coragem na fé e da sabedoria no conselho. Ela nos ensina a conhecer a verdade sobre Deus e sobre nós mesmos, a amar a Igreja e a servir o próximo com ardor. A sua intercessão nos alcança firmeza para defender a verdade, prudência nas decisões e caridade que não recua diante das dificuldades.
Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem a sua festa, em 29 de abril, ou em qualquer tempo em que se busque luz e fortaleza. Reze a oração inicial e a oração final em todos os dias, acrescente a meditação própria do dia e conclua com um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai.
Dia 1 de 9
Como rezar esta novena
- Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
- Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
- Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
- Encerre com a Oração final.
Orações de todos os dias
Oração inicial
Ó Deus eterno e todo-poderoso, que acendestes no coração de Santa Catarina de Sena o fogo do vosso amor e a luz da verdade, olhai com bondade para nós que a invocamos. Concedei-nos, por sua intercessão, a coragem de viver a fé sem temor, a sabedoria de buscar em tudo a vossa vontade e um amor ardente pela vossa Igreja. Fazei-nos conhecer quem sois Vós e quem somos nós, para que Vos sirvamos com fidelidade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Oração final
Santa Catarina de Sena, virgem prudente e corajosa, apresentai ao Senhor os pedidos que hoje Vos confiamos. Alcançai-nos a graça de amar a verdade, de servir a Igreja e de perseverar na caridade, até chegarmos convosco à visão eterna de Deus. Amém.
Os 9 dias da novena
1º dia — Conhecer a Deus e conhecer a si mesmo
No início da sua vida espiritual, Santa Catarina ouviu do Senhor uma lição que a acompanharia sempre: Eu sou Aquele que é, tu és aquela que não é. Nessa verdade fundamental está a raiz de toda a sua sabedoria. Conhecer a Deus como fonte de todo o bem e reconhecer a própria pequenez não humilha a alma, mas a liberta, pois a ensina a esperar tudo do Senhor. Desse duplo conhecimento nascem a humildade e a confiança. Muitas vezes vivemos como se dependêssemos só de nós; hoje somos chamados a rever essa ilusão. Ó Santa Catarina, que aprendestes na cela do vosso coração quem é Deus e quem sois vós, alcançai-me a graça de conhecer a minha nada diante do Criador e de me apoiar unicamente n'Ele, fonte de todo o bem que existe em mim. Amém.
2º dia — A cela interior do coração
Santa Catarina não pôde sempre se retirar para um convento silencioso, mas o Senhor lhe ensinou a construir dentro de si uma cela interior, da qual nunca precisaria sair. Ali, no íntimo do coração, ela se encontrava com Deus em meio a qualquer atividade ou tumulto. Essa cela é o recolhimento da alma, que se mantém unida ao Senhor mesmo entre as ocupações do dia. Não são as circunstâncias que nos afastam de Deus, mas a dispersão do coração. Aprendamos a habitar esse santuário interior. Ó Santa Catarina, que carregáveis sempre convosco a cela do vosso coração, ensinai-me a permanecer unido a Deus no meio das minhas tarefas, guardando dentro de mim um espaço de silêncio e de oração onde possa sempre encontrá-lo. Amém.
3º dia — O amor à verdade
Santa Catarina teve como divisa amar e proclamar a verdade a qualquer preço, mesmo diante dos poderosos. Sabia que a verdade nasce de Deus e conduz a Ele, e por isso não temia falar com franqueza a governantes e até ao Papa, sempre movida pela caridade. Amar a verdade é amar o próprio Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Num mundo que muitas vezes prefere a mentira cômoda, o cristão é chamado a viver e a testemunhar o que é verdadeiro. Peçamos coragem para não trair a verdade. Ó Santa Catarina, corajosa defensora da verdade, alcançai-me a graça de amá-la acima da minha comodidade, de vivê-la com integridade e de testemunhá-la com mansidão, sem medo do julgamento dos homens. Amém.
4º dia — O amor ardente à Igreja
Santa Catarina amava a Igreja como Esposa de Cristo e chamava carinhosamente o Papa de doce Cristo na terra. Num tempo de divisões e escândalos, não abandonou a Igreja nem a criticou com amargura, mas trabalhou, rezou e sofreu pela sua purificação e unidade. O seu amor não fechava os olhos às feridas, mas se empenhava em curá-las de dentro, com fidelidade filial. Também nós somos chamados a amar a Igreja apesar das suas fragilidades humanas, pois nela habita o Senhor. Renovemos hoje esse amor. Ó Santa Catarina, filha fiel e apaixonada pela Igreja, alcançai-me a graça de amá-la como minha mãe, de rezar pelos seus pastores e de servi-la com generosidade, permanecendo unido a ela mesmo nas horas difíceis. Amém.
5º dia — Coragem diante das dificuldades
A vida de Santa Catarina foi cheia de oposições, incompreensões e viagens perigosas em prol da paz e da Igreja. No entanto, ela não recuava, animada pela certeza de que Deus estava com ela. Costumava exortar as almas a serem quem foram chamadas a ser, e assim incendiariam o mundo. Essa coragem não vinha da própria força, mas da união com Cristo crucificado. Nós também enfrentamos medos e obstáculos que ameaçam nos paralisar; neles somos convidados a confiar. Ó Santa Catarina, mulher de coragem indomável, alcançai-me a graça de não me deixar vencer pelo medo nem pelas dificuldades, mas de enfrentar com fé os desafios da vida, certo de que, com Deus, nada é impossível. Amém.
6º dia — A caridade para com os pobres e enfermos
Da sua intimidade com Deus, Santa Catarina descia sempre ao serviço dos irmãos, cuidando de pobres, doentes e apestados que muitos evitavam. Para ela, o amor a Deus era inseparável do amor concreto ao próximo, pois no rosto do necessitado reconhecia o próprio Cristo. Dizia que o que fazemos ao menor dos irmãos, a Ele o fazemos. A verdadeira contemplação não afasta do próximo, mas impele à caridade. Perguntemo-nos hoje como servimos os que sofrem ao nosso redor. Ó Santa Catarina, serva dedicada dos pobres e enfermos, alcançai-me um coração compassivo, atento às necessidades dos irmãos, e a coragem de servi-los com generosidade, vendo em cada um deles o rosto do Senhor. Amém.
7º dia — A paz e a reconciliação
Deus fez de Santa Catarina uma incansável mensageira de paz, chamada a reconciliar cidades em guerra e corações endurecidos. Ela levava a paz de Cristo aos ambientes mais divididos, convencida de que só o perdão pode romper o ciclo do ódio. A paz que ela oferecia não era mera trégua humana, mas fruto da reconciliação com Deus e entre os homens. Também nós somos chamados a ser instrumentos de paz onde há discórdia. Examinemos se guardamos rancores que precisam ser vencidos. Ó Santa Catarina, artífice de paz e reconciliação, alcançai-me a graça de perdoar de coração aqueles que me ofenderam, de buscar a concórdia onde houver divisão e de levar aos outros a verdadeira paz que vem de Cristo. Amém.
8º dia — A Providência de Deus
No seu Diálogo, Santa Catarina contempla a Providência amorosa de Deus, que tudo dispõe para o bem de quem O ama. Ela via em cada acontecimento, mesmo doloroso, a mão do Pai que conduz os seus filhos com sabedoria e ternura. Essa confiança lhe dava paz mesmo nas horas mais escuras, pois sabia que nada escapa ao cuidado de Deus. Também nós, tantas vezes ansiosos com o futuro, somos chamados a abandonar-nos nessa Providência. Deponhamos hoje as nossas preocupações nas mãos do Senhor. Ó Santa Catarina, que confiastes plenamente na divina Providência, alcançai-me a graça de me abandonar sem reservas ao cuidado amoroso de Deus, certo de que Ele nunca me esquece e tudo conduz para o meu verdadeiro bem. Amém.
9º dia — A união com Cristo crucificado
O amor de Santa Catarina se concentrava inteiramente em Cristo crucificado, no qual ela via a prova suprema do amor de Deus pelos homens. Contemplando o sangue derramado na cruz, encontrava a fonte da salvação e a força para viver e sofrer por amor. Toda a sua entrega, os seus trabalhos e as suas penitências brotavam dessa contemplação do Redentor. A cruz não era para ela sinal de derrota, mas de amor vitorioso. Também nós encontramos na cruz o sentido dos nossos sofrimentos. Ó Santa Catarina, unida ao Cristo crucificado, alcançai-me a graça de contemplar com amor o mistério da cruz, de aceitar as minhas provações em união com o Senhor e de amá-lo até o fim, para partilhar convosco a glória da ressurreição. Amém.