Novena à Santa Face de Jesus
Reparação e amor ao rosto sofredor de Cristo, ultrajado por nossos pecados. · Festa: terça-feira de Carnaval, véspera da Quarta-feira de Cinzas, antes da Quaresma
A devoção à Santa Face de Jesus contempla o rosto adorável do Salvador, desfigurado pelos sofrimentos da Paixão e ultrajado pelos pecados dos homens. Nesse rosto coberto de sangue, cuspido e coroado de espinhos, brilha ainda assim uma majestade divina e uma ternura sem igual. Fixar os olhos na Santa Face é entrar no mistério do amor que se deixou ferir por nós, e sentir o desejo de consolar e reparar tanto ultraje.
Reza-se esta novena em espírito de reparação, para desagravar a Cristo pelas ofensas que recebe, sobretudo nos dias de dissipação e pecado, e para acolher no próprio coração o convite ao amor e à conversão. Quem venera a Santa Face aprende a odiar o pecado que a desfigurou e a consolar o Senhor com uma vida de fidelidade. É devoção que une contemplação e penitência, adoração e desagravo.
Esta novena convém especialmente aos dias que antecedem a Quaresma, culminando na terça-feira de Carnaval, tempo em que tantos se entregam à dissipação; mas pode ser rezada em qualquer época de penitência ou súplica. Reze-se cada dia com o olhar fixo numa imagem da Santa Face, iniciando com a oração inicial, meditando o tema e concluindo com a oração final e um ato de reparação.
Dia 1 de 9
Como rezar esta novena
- Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
- Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
- Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
- Encerre com a Oração final.
Orações de todos os dias
Oração inicial
Ó adorável Face de Jesus, rosto do meu Redentor, desfigurado por amor de mim e ultrajado pelos meus pecados, eu vos contemplo com o coração contrito e agradecido. Nessa Face santa vejo o preço da minha salvação e a medida do vosso amor. Venho, nesta novena, oferecer-vos desagravo pelas ofensas que recebeis e consolar o vosso Coração ferido. Imprimi em minha alma os vossos traços divinos, para que eu me converta e vos console com uma vida fiel. Por vossa Santa Face dolorosa, ó Jesus, ouvi a minha súplica e concedei-me a graça da conversão sincera. Amém.
Oração final
Ó Jesus, por vossa Santa Face humilhada e cheia de amor, tende piedade de nós e de todos os pecadores. Aceitai o desagravo que vos ofereço e transformai o meu coração. Fazei que eu vos console amando-vos, e que um dia contemple para sempre a vossa Face gloriosa no céu. Amém.
Os 9 dias da novena
1º dia — Contemplar a Face amada
O primeiro passo desta devoção é simplesmente parar e olhar. Fixamos os olhos no rosto de Jesus, esse rosto que os anjos desejam contemplar e diante do qual toda a criação se cala. Nele resplandece a glória de Deus, mas resplandece através das feridas que o pecado nele abriu. Contemplar a Santa Face não é um exercício frio, mas um encontro de amor com Aquele que nos amou primeiro. Quanto tempo passamos distraídos com mil rostos vãos, e quão pouco nos detemos a olhar o único que importa. Hoje quero recolher o meu olhar disperso e voltá-lo para vós. Ó Jesus, atraí o meu olhar para a vossa Santa Face e prendei ali o meu coração. Ensinai-me a buscar o vosso rosto acima de todas as coisas, para que, contemplando-vos, eu me esqueça de mim e me revista de vós. Amém.
2º dia — A Face desfigurada pela dor
O profeta Isaías anunciou o Servo sofredor sem beleza nem esplendor, cujo aspecto era desfigurado, ao ponto de fazer as pessoas esconderem o rosto. Cumpriu-se na Paixão de Jesus, quando a sua Face santa foi golpeada, coberta de suor e sangue, marcada pelo cansaço e pela agonia. Aquele que era o mais belo dos filhos dos homens quis tornar-se irreconhecível por amor de nós. Cada uma dessas feridas fala de um pecado que Ele carregou, de uma dor que assumiu em meu lugar. Contemplando essa Face desfigurada, entendo o peso do mal que se abriga em meu coração. Ó Jesus, foi por mim que a vossa Face ficou assim. Dai-me lágrimas de compaixão diante do vosso sofrimento e de arrependimento pelos meus pecados. Que a visão de vossas chagas me arranque de vez do apego ao mal. Amém.
3º dia — O ultraje dos pecados
A Face de Jesus não sofreu apenas na Paixão de outrora; continua a ser ultrajada hoje pelos pecados dos homens. As blasfêmias, as profanações, a indiferença e a dissipação renovam de algum modo os golpes que Ele recebeu. Nos dias em que o mundo mais se entrega ao prazer e ao esquecimento de Deus, mais dolorido fica o rosto do Salvador. Não somos apenas espectadores dessa cena antiga; muitas vezes, com nossas próprias faltas, somos nós que erguemos a mão contra Ele. Reconhecer isto me humilha e me move a pedir perdão. Ó Jesus, quantas vezes eu mesmo ofendi a vossa Face santa. Perdoai as minhas ofensas e as de todos os pecadores. Fazei-me consciente da malícia do pecado, para que eu o deteste e não volte a ferir-vos. Convertei o meu coração e o coração dos que vos ultrajam. Amém.
4º dia — O espírito de reparação
Diante de tanto ultraje, o Senhor busca almas que o consolem e reparem. A reparação é a resposta do amor que não pode ver o Amado ofendido sem procurar desagravá-lo. Não se trata de acrescentar algo ao valor infinito da redenção, mas de nos unirmos a Cristo, oferecendo por Ele o nosso amor onde outros lhe negam o seu. Reparar é como enxugar a Face do Senhor, como fez a piedosa Verônica no caminho do Calvário. Quero ser hoje, ainda que indigno, uma dessas almas consoladoras. Ó Jesus, aceitai o desejo do meu coração de reparar as ofensas que recebeis. Onde há blasfêmia, quero oferecer-vos louvor; onde há esquecimento, memória; onde há frieza, amor. Fazei de mim um consolador da vossa Face aflita e ensinai-me a viver em espírito de desagravo. Amém.
5º dia — A conversão do coração
De nada valeria contemplar a Santa Face se o coração permanecesse igual. A verdadeira reparação começa dentro de nós, com a conversão sincera que abandona o pecado. O rosto sofredor de Jesus é um espelho que revela a minha própria alma e me convida a mudar de vida. Não posso desagravar as ofensas dos outros se continuo a ofendê-lo com as minhas. A vista de suas chagas me pede uma decisão firme de romper com o mal e de caminhar na fidelidade. Hoje quero deixar-me converter por esse olhar que me interpela com amor. Ó Jesus, penetrai com a vossa graça as profundezas do meu coração. Arrancai de mim tudo o que vos desagrada e criai em mim um coração novo. Dai-me a graça de uma conversão verdadeira e duradoura, para que a minha vida seja um desagravo contínuo à vossa Santa Face. Amém.
6º dia — O poder do Santo Nome
Unida à devoção da Santa Face está a veneração do Santo Nome de Jesus, ambos ultrajados juntos pela blasfêmia. Diante do nome de Jesus, todo joelho se dobra no céu, na terra e no inferno, pois nele está a salvação. Invocar esse nome com fé é uma arma poderosa contra o mal e um bálsamo para a alma. Quando o mundo o pronuncia em vão, cabe a nós repeti-lo com amor e reverência. Quero encher o meu dia com a doce invocação do Nome que salva. Ó Jesus, bendito seja para sempre o vosso Santo Nome, tantas vezes profanado e blasfemado. Reparo as ofensas que ele recebe e o proclamo com todo o meu amor. Que esse Nome seja a minha força na tentação, o meu consolo na dor e a última palavra em meus lábios. Salvai-me pelo vosso Nome adorável. Amém.
7º dia — A luz na noite do pecado
Ainda desfigurada, a Face de Jesus irradia uma luz que as trevas não vencem. É o rosto da misericórdia, que não condena o pecador arrependido, mas o acolhe e o restaura. Por mais escura que esteja a noite da alma, basta voltar-se para essa luz para reencontrar a esperança. Nenhum pecado é tão grande que exceda o amor que resplandece nesse rosto ferido. Se o meu coração está imerso em trevas, é para essa luz que devo caminhar. Hoje quero deixar-me iluminar e curar por esse olhar cheio de compaixão. Ó Jesus, luz que brilha nas trevas, fazei resplandecer sobre mim a vossa Face. Dissipai as sombras do meu coração, curai as feridas do meu passado e reacendei em mim a esperança. Que a vossa misericórdia seja mais forte que a minha miséria, e conduzi-me à luz da vossa graça. Amém.
8º dia — Configurar-se à Face de Cristo
A meta de toda vida cristã é reproduzir em nós os traços de Cristo, até que o Pai reconheça em nossa alma a Face do seu Filho. Contemplando com amor a Santa Face, vamos sendo por ela transformados, como quem se assemelha àquilo que contempla. Cada gesto de paciência, humildade e caridade grava em nós um traço a mais do rosto do Senhor. É esta a verdadeira devoção: não apenas venerar de fora, mas deixar-se moldar por dentro. Quero que a minha vida inteira se torne semelhante à vossa. Ó Jesus, imprimi em minha alma os traços da vossa Santa Face. Fazei-me manso e humilde de coração como vós, paciente na provação e cheio de amor. Que ao me olharem, os outros vejam algo de vós, e que a minha vida seja o vosso rosto refletido neste mundo. Amém.
9º dia — Contemplar a Face gloriosa
A Face agora desfigurada há de resplandecer um dia em glória, e essa visão será a felicidade dos eleitos. Toda a nossa esperança se resume em ver a Face de Deus, aquela que os salmos tanto anseiam contemplar. Se aqui a veneramos coberta de dores, no céu a contemplaremos radiante de luz e beleza eternas. Vale a pena toda penitência e todo desagravo para merecer essa visão sem fim. É este o prêmio prometido aos que buscaram o rosto do Senhor nesta vida. Peço hoje a graça suprema de um dia vos contemplar face a face. Ó Jesus, sustentai-me na fidelidade até que eu contemple a vossa Face gloriosa. Fazei que, tendo-vos consolado na terra, seja eu consolado por vós no céu. E ao término da minha vida, mostrai-me o vosso rosto e recebei-me na vossa alegria eterna. Amém.