Novena de Santo Estêvão

Primeiro mártir da Igreja e protodiácono; para alcançar coragem na fé e perdão aos inimigos · Festa: 26 de dezembro

Santo Estêvão é venerado como o primeiro mártir da Igreja, o protomártir, e sua memória é celebrada logo no dia seguinte ao Natal, para nos lembrar que quem nasceu em Belém veio para dar a vida e chamar seus discípulos a fazer o mesmo. Cheio de fé e do Espírito Santo, foi um dos sete primeiros diáconos escolhidos pelos Apóstolos para o serviço da caridade e das mesas. Homem de graça e de poder, realizava prodígios entre o povo e anunciava com sabedoria irresistível a Cristo ressuscitado. Levado ao tribunal por falsas acusações, deu testemunho corajoso da verdade e, apedrejado, morreu como o Mestre: perdoando os que o matavam e entregando o espírito a Deus.

Rezamos esta novena para pedir a Santo Estêvão que nos alcance a coragem de confessar a fé em qualquer circunstância, mesmo quando isso custa incompreensão, zombaria ou perseguição. Ele nos ensina que o cristão é chamado a testemunhar Cristo com a vida e, se necessário, com o próprio sangue, e que o amor cristão se prova sobretudo no perdão aos inimigos. A ele recorremos pela graça da fidelidade a Cristo, pela força nas provações, pelo espírito de serviço aos pobres e pela capacidade de perdoar de coração aqueles que nos ofendem.

Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem a sua festa, em 26 de dezembro, dentro do clima luminoso do Natal, ou em qualquer tempo de necessidade. Reze com fé e com o coração disposto ao perdão, pedindo a graça de imitar este santo diácono que uniu o serviço, o testemunho e o amor até o fim. Que Santo Estêvão nos obtenha a fortaleza de permanecer fiéis a Cristo em todas as circunstâncias da vida.

Como rezar esta novena

  1. Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
  2. Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
  3. Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
  4. Encerre com a Oração final.

Orações de todos os dias

Oração inicial

Ó glorioso Santo Estêvão, primeiro mártir de Cristo, cheio de fé e do Espírito Santo, que destes a vida por amor ao Senhor e perdoastes aos que vos matavam, eu recorro à vossa poderosa intercessão nesta novena. Alcançai-me a coragem de confessar a fé sem medo, a fidelidade a Cristo nas provações e a caridade que sabe perdoar as ofensas. Fortalecei-me contra o respeito humano e o medo de sofrer pela verdade. Apresentai a Deus os pedidos que humildemente vos confio e ensinai-me a viver e, se preciso, a morrer, com o olhar fixo no Céu que vós contemplastes aberto. Amém.

Oração final

Ó Santo Estêvão, protomártir de Cristo, recebei estas súplicas e apresentai-as a Deus. Alcançai-me a graça de testemunhar a fé com coragem, de servir aos irmãos com amor e de perdoar aos que me ofendem, como vós perdoastes. Que, fiel a Cristo até o fim, eu mereça um dia contemplar convosco a glória de Deus no Céu. Amém.

Os 9 dias da novena

1º dia — O diácono cheio do Espírito Santo

Ó Santo Estêvão, a Escritura vos apresenta como homem cheio de fé e do Espírito Santo, escolhido entre os primeiros diáconos para servir a Igreja nascente. Não éreis grande aos olhos do mundo, mas a graça de Deus vos enchia e transbordava em vossas palavras e obras. Alcançai-nos também a nós essa plenitude do Espírito Santo, para que Ele guie nossa vida, ilumine nossa mente e fortaleça nossa vontade. Que sejamos dóceis às suas inspirações e nos deixemos conduzir por Ele em todas as coisas. Ensinai-nos a invocar o Espírito Santo cada dia, pedindo seus dons e seus frutos, para que a nossa vida cristã não seja fraca e vazia, mas cheia da força que vem do Alto. Que, como vós, sejamos habitados pela presença de Deus. Neste primeiro dia da novena, eu vos peço: alcançai-me a plenitude do Espírito Santo, para que Ele me encha de fé, de sabedoria e de coragem, e faça de mim testemunha viva de Cristo.

2º dia — O serviço humilde aos irmãos

Ó Santo Estêvão, fostes constituído diácono para o serviço das mesas e o cuidado dos pobres, das viúvas e dos necessitados da comunidade. Não considerastes esse serviço humilde como inferior, mas o abraçastes como caminho de santidade e imitação de Cristo, que veio para servir e não para ser servido. Ensinai-nos a valorizar o serviço aos irmãos, sobretudo aos mais pobres e esquecidos, sem buscar postos de destaque nem reconhecimento. Que aprendamos a nos inclinar diante das necessidades alheias, a dar de comer a quem tem fome, a consolar os aflitos e a socorrer os que sofrem. Livrai-nos do orgulho que despreza as tarefas humildes e da vaidade que só busca os primeiros lugares. Que o amor se traduza em serviço concreto. Neste segundo dia, eu vos suplico: alcançai-me um coração servidor, humilde e generoso, disposto a servir aos irmãos com amor, reconhecendo em cada um deles o próprio Cristo.

3º dia — A sabedoria na defesa da fé

Ó Santo Estêvão, quando discutíeis com os que se opunham ao Evangelho, ninguém podia resistir à sabedoria e ao Espírito com que faláveis. Não era vossa a ciência, mas a graça de Deus que falava por vós. Anunciáveis Cristo com clareza e força, mostrando como toda a história da salvação n'Ele se cumpria. Concedei-nos também a graça de conhecer e defender a nossa fé, não com arrogância, mas com sabedoria, mansidão e firmeza. Ensinai-nos a dar razão da esperança que há em nós, a responder às objeções com serenidade e a testemunhar a verdade sem medo. Que estudemos a doutrina da Igreja e nos deixemos instruir pelo Espírito, para que nossa fé seja esclarecida e capaz de iluminar os outros. Neste terceiro dia da novena, eu vos peço: alcançai-me sabedoria e coragem para conhecer, viver e defender a minha fé, dando testemunho de Cristo com clareza, mansidão e firmeza.

4º dia — A coragem de confessar a Cristo

Ó Santo Estêvão, levado diante do tribunal e cercado de acusadores, não vos calastes nem negastes a fé, mas confessastes Cristo com intrepidez, mesmo sabendo o preço que isso vos custaria. Vosso rosto, dizem as Escrituras, brilhava como o de um anjo, tal era a paz de quem tudo entregava a Deus. Dai-nos essa mesma coragem de confessar a Cristo diante do mundo, sem nos deixarmos vencer pelo medo, pela zombaria ou pelo respeito humano. Livrai-nos da covardia que esconde a fé para agradar aos homens e cala a verdade por temor. Que não nos envergonhemos do Evangelho, mas o professemos com palavras e obras, custe o que custar. Que sejamos fiéis testemunhas de Cristo em nosso tempo. Neste quarto dia, eu vos suplico: alcançai-me a coragem de confessar publicamente a minha fé em Cristo, sem medo das consequências, permanecendo fiel a Ele diante do mundo.

5º dia — A fortaleza na perseguição

Ó Santo Estêvão, sofrestes falsas acusações, o ódio dos que não suportavam a verdade e, por fim, a perseguição que vos custou a vida. E, no entanto, permanecestes firme e sereno, porque vossa força estava em Deus e não em vós mesmo. Fortalecei-nos nas provações e perseguições que a fé pode nos trazer: as incompreensões, as zombarias, as injustiças e os sofrimentos suportados por causa de Cristo. Ensinai-nos a não desanimar nem recuar diante das dificuldades, mas a considerar bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus. Que a adversidade não enfraqueça nossa fé, mas a torne mais pura e mais forte, apoiada unicamente na graça de Deus. Que suportemos tudo por amor a Cristo. Neste quinto dia da novena, eu vos peço: alcançai-me fortaleza e serenidade nas perseguições e provações, para que eu permaneça firme na fé e não me afaste de Cristo por medo do sofrimento.

6º dia — O céu aberto e o olhar em Cristo

Ó Santo Estêvão, no momento supremo da provação, elevastes os olhos ao Céu e o vistes aberto, com o Filho do Homem à direita de Deus. Essa visão vos encheu de paz e de força, mostrando que, para além do sofrimento presente, vos esperava a glória eterna. Ensinai-nos a manter o olhar fixo em Cristo e no Céu, sobretudo nas horas difíceis, para que não nos deixemos abater pelas provações passageiras. Que aprendamos a viver como peregrinos que caminham para a pátria celeste, sem nos apegarmos demasiado às coisas da terra. Fazei-nos crer com firmeza que Deus nos espera e que nada do que sofremos por Ele será perdido. Que essa esperança do Céu ilumine e sustente toda a nossa vida. Neste sexto dia, eu vos suplico: alcançai-me a graça de manter os olhos fixos em Cristo e na esperança do Céu, para que, seja qual for a provação, eu jamais perca de vista a glória que Deus me reserva.

7º dia — O perdão aos inimigos

Ó Santo Estêvão, no instante em que as pedras vos tiravam a vida, ajoelhado, rezastes por vossos algozes, pedindo a Deus que não lhes imputasse aquele pecado. Assim imitastes perfeitamente o Senhor, que na cruz perdoou aos que o crucificavam. Vosso perdão não foi resignação forçada, mas amor generoso pelos próprios inimigos. Alcançai-nos essa graça altíssima de perdoar de coração aos que nos ofendem, nos caluniam ou nos fazem o mal. Livrai-nos do rancor, do desejo de vingança e da amargura que envenenam a alma. Ensinai-nos a rezar por aqueles que nos perseguem e a desejar-lhes o bem, vencendo o mal com o amor. Que compreendamos que só perdoando seremos perdoados por Deus, e que o perdão é a mais alta prova do amor cristão. Neste sétimo dia da novena, eu vos peço: alcançai-me a graça de perdoar sinceramente aos que me ofendem e de rezar por eles, imitando o vosso exemplo e o de Cristo na cruz.

8º dia — A entrega da vida a Cristo

Ó Santo Estêvão, ao expirar, entregastes vosso espírito ao Senhor Jesus, dizendo com confiança filial: recebei o meu espírito. Vossa morte foi um ato supremo de amor e de abandono nas mãos de Deus, coroamento de uma vida inteiramente doada. Ensinai-nos a entregar também a nossa vida a Cristo, não apenas na hora da morte, mas em cada dia, oferecendo-lhe nossos trabalhos, alegrias e sofrimentos. Que aprendamos a dizer de coração, em tudo, seja feita a vossa vontade, colocando nossa existência inteiramente nas mãos do Pai. Livrai-nos do apego excessivo à nossa própria vida e vontade, para que saibamos perdê-la por amor a Cristo e assim encontrá-la. Que a nossa vida seja uma oferta contínua a Deus. Neste oitavo dia, eu vos suplico: alcançai-me a graça de entregar minha vida inteiramente a Cristo, oferecendo-lhe cada dia, para que eu viva e morra confiando plenamente em suas mãos.

9º dia — A coroa do martírio e a glória eterna

Ó bem-aventurado Santo Estêvão, cujo próprio nome significa coroa, recebestes de Deus a coroa do martírio, primeira dentre todas, e entrastes na glória eterna seguindo de perto os passos do Mestre. Vossa morte tornou-se semente de novos cristãos e vosso sangue, testemunho que fortaleceu a Igreja. Ensinai-nos a viver de tal modo que também nós, cada um em sua vocação, saibamos dar testemunho de Cristo até o fim, dispostos a tudo por amor a Ele. Que a esperança da glória eterna, que vós já contemplais, nos anime a permanecer fiéis nas pequenas e nas grandes provas da vida. Sede nosso intercessor junto ao trono de Deus e obtende-nos a graça da perseverança final. Neste nono dia, ao concluir a novena, eu vos peço: alcançai-me a graça de ser fiel a Cristo até o último instante, de testemunhá-lo com a vida e de merecer, convosco, a coroa da glória eterna no Céu.

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