Novena de Santo Onofre
Eremita do deserto; invocado nas necessidades urgentes e financeiras · Festa: 12 de junho
Santo Onofre foi um dos grandes anacoretas do deserto do Egito, no século IV, que abandonou tudo para viver na solidão, entregue à oração e à penitência. Diz a tradição que passou setenta anos afastado do convívio humano, alimentando-se do que a terra lhe oferecia e sustentado unicamente pela graça de Deus, que não deixou faltar-lhe o pão nem a Comunhão levada por um anjo. Sua vida de despojamento absoluto o fez testemunha viva da Providência divina, que cuida dos que nela depositam toda a confiança.
Rezamos esta novena para pedir a Santo Onofre auxílio nas necessidades urgentes, especialmente nas dificuldades materiais e financeiras, pois quem viveu confiando somente em Deus tornou-se poderoso intercessor dos aflitos e desamparados. A ele recorrem os que buscam trabalho, os que enfrentam dívidas e apertos, e todos os que precisam experimentar de modo concreto a mão providente do Senhor. Sua intercessão nos ensina, ao mesmo tempo, o desapego e a fé que remove montanhas.
Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem sua festa, celebrada em 12 de junho, ou em qualquer momento de aflição e urgência. Recolha-se a cada dia num lugar tranquilo, faça a oração inicial, medite com fé o tema proposto e seu pedido, e encerre com a oração final, entregando ao santo eremita as necessidades que pesam sobre seu coração, na certeza de que Deus não abandona quem nele espera.
Dia 1 de 9
Como rezar esta novena
- Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
- Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
- Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
- Encerre com a Oração final.
Orações de todos os dias
Oração inicial
Ó admirável Santo Onofre, eremita do deserto, que abandonastes as riquezas do mundo para viver somente de Deus e por Deus, eu me aproximo de vós nestes nove dias com fé e esperança. Vós que fostes sustentado pela Providência divina em meio à mais completa pobreza, olhai para minhas necessidades e aflições. Alcançai-me de Deus o auxílio que urgentemente peço, e sobretudo a graça de uma confiança inabalável na bondade do Pai celeste, que veste os lírios do campo e alimenta as aves do céu. Sede meu intercessor, glorioso santo. Amém.
Oração final
Santo Onofre, protetor dos aflitos e necessitados, apresentai a Deus os pedidos que hoje vos confiei. Ensinai-me a confiar na Providência divina em toda hora, e alcançai-me a graça de que preciso, se for para o bem de minha alma. Que eu nunca desespere, sabendo que Deus cuida de mim. Amém.
Os 9 dias da novena
1º dia — O chamado à solidão de Deus
Santo Onofre, tocado pela graça, ouvistes no íntimo do coração o convite de Deus a deixar o mundo e a buscá-lo na solidão do deserto. Não recuastes diante do desconhecido, mas partistes confiando somente n'Aquele que vos chamava. Neste primeiro dia de novena, reconheço quanto minha vida está cheia de ruídos e distrações que me impedem de ouvir a voz de Deus. Fujo do silêncio, preencho cada instante com afazeres e agitações, e assim perco a intimidade com o Senhor. Ensinai-me, santo eremita, a valorizar os momentos de recolhimento e oração, encontrando no silêncio não o vazio, mas a presença viva de Deus. Ajudai-me a fazer, dentro do coração, um deserto onde eu possa encontrar-me com o Senhor. Santo Onofre, alcançai-me a graça de buscar a Deus acima de todas as coisas, para que, no silêncio da oração, eu descubra o único necessário e nele repouse.
2º dia — Confiança na Providência
No deserto, ó Santo Onofre, não tínheis celeiros nem reservas, e ainda assim nunca vos faltou o sustento, porque a mão de Deus vos alimentava dia após dia. Vivestes na carne a verdade do Evangelho, que nos manda não andar ansiosos pelo dia de amanhã. Neste segundo dia, apresento-vos minhas preocupações com o sustento, as contas que me afligem e o medo do futuro que rouba minha paz. Quantas vezes a ansiedade me consome e me faz esquecer que tenho um Pai no Céu que conhece minhas necessidades antes que eu peça. Aumentai minha fé, santo eremita, para que eu confie plenamente na Providência divina. Santo Onofre, alcançai-me a graça de entregar a Deus todas as minhas preocupações, trabalhando com diligência mas descansando na certeza de que Ele proverá o necessário a seu tempo, pois nunca abandona quem nele coloca a esperança.
3º dia — O desapego das riquezas
Deixastes tudo, ó Santo Onofre, para nada possuir senão a Deus, e nessa pobreza voluntária encontrastes a verdadeira riqueza e a liberdade do coração. Nada vos prendia à terra, e por isso vosso espírito voava livre para o Céu. Neste terceiro dia, examino quanto meu coração está apegado aos bens materiais, ao conforto e à segurança que o dinheiro promete. Busco a felicidade em coisas que passam e me esqueço do tesouro que não perece. Não peço a pobreza do deserto, mas o desprendimento interior que me liberte da escravidão das riquezas. Ensinai-me, santo eremita, a usar dos bens sem me tornar seu escravo. Santo Onofre, alcançai-me a graça do desapego, para que eu ponha em Deus a minha segurança e não nas coisas deste mundo, e para que, livre do amor ao dinheiro, meu coração se encha do amor que verdadeiramente sacia.
4º dia — Socorro nas necessidades urgentes
Vós que conhecestes a dureza da pobreza e a angústia da necessidade, ó Santo Onofre, tornastes-vos poderoso intercessor dos que se encontram em aflição urgente. A quem recorre a vós com fé, alcançais o auxílio de Deus nos apertos da vida. Neste quarto dia, coloco diante de vós a necessidade premente que me aflige, esta situação que me tira o sono e para a qual não encontro solução por minhas próprias forças. Batendo à porta de vossa intercessão, confio que apresentareis meu clamor ao Senhor. Não me deixeis desamparado, santo protetor, mas socorrei-me na hora da angústia. Santo Onofre, alcançai-me a graça urgente de que preciso, se assim for a vontade de Deus e para o bem de minha alma, e enchei meu coração de paciência e esperança enquanto aguardo o socorro divino, certo de que não serei confundido.
5º dia — Auxílio nas dificuldades financeiras
Sois invocado, ó Santo Onofre, por tantos que enfrentam dívidas, desemprego e escassez, porque vossa vida foi testemunho de que Deus provê a quem nele confia. Não desprezais os pobres, mas os acolheis com a compaixão de quem também conheceu a privação. Neste quinto dia, apresento-vos minhas dificuldades financeiras, os apertos que me angustiam e o peso que carrego para prover a mim e aos que amo. Não busco riquezas nem luxos, mas o pão necessário e o trabalho digno. Intercedei por mim, santo eremita, junto ao Senhor da messe, para que abra caminhos onde não vejo saída. Santo Onofre, alcançai-me a graça de superar as dificuldades materiais que me afligem, abençoando meu trabalho e minha honestidade, e concedei-me confiar que quem serve a Deus jamais é abandonado por Ele em sua necessidade.
6º dia — A penitência e a mortificação
Durante setenta anos no deserto, ó Santo Onofre, abraçastes uma vida de rigorosa penitência, dominando o corpo para libertar o espírito e crescer no amor de Deus. Vossas privações não eram desprezo pela vida, mas caminho de purificação e de entrega total. Neste sexto dia, reconheço quanto sou escravo de meus gostos e comodidades, incapaz de renunciar às menores coisas por amor a Deus. Fujo de todo sacrifício e busco sempre o mais fácil e agradável. Ensinai-me, santo eremita, o valor da penitência feita por amor, que fortalece a alma e a torna dócil à graça. Santo Onofre, alcançai-me a graça de saber mortificar-me nas pequenas coisas do dia a dia, oferecendo a Deus minhas renúncias, para que, dominando as paixões desordenadas, eu me torne mais livre para amar e mais disponível à vontade divina.
7º dia — O Pão do Céu no deserto
Conta a piedosa tradição que, na solidão do deserto, ó Santo Onofre, recebíeis a Sagrada Comunhão das mãos de um anjo, pois Deus não permitiu que faltasse a seu servo o Pão que dá a vida eterna. Assim, mesmo longe de todos, nunca estivestes só, alimentado pelo próprio Cristo. Neste sétimo dia, penso na Eucaristia, tesouro que muitas vezes recebo com frieza ou desprezo pela distância, sem valorizar o dom imenso da presença de Jesus. Vós que ansiáveis por esse Pão no deserto, despertai em mim a fome do Pão vivo. Ensinai-me a amar a Santa Missa e a Comunhão como o maior dos bens. Santo Onofre, alcançai-me a graça de nutrir minha alma com a Eucaristia, participando dela com fé, reverência e amor, para que Cristo seja o alimento e a força de toda a minha vida.
8º dia — A perseverança até o fim
Setenta anos de fidelidade, ó Santo Onofre, sem recuar, sem desanimar, sem voltar atrás na decisão de servir somente a Deus. Vossa perseverança é lição para todos nós que tão facilmente abandonamos os bons propósitos ao primeiro obstáculo. Neste oitavo dia, reconheço quanto sou inconstante, começando com fervor e esfriando logo depois, desistindo das orações e das boas resoluções assim que surgem as dificuldades. Falta-me a firmeza dos santos. Sustentai-me, valente eremita, para que eu não desista no meio do caminho. Santo Onofre, alcançai-me a graça da perseverança na fé e na oração, para que eu leve até o fim os compromissos assumidos com Deus, e para que, superando o cansaço e o desânimo, eu chegue fiel ao termo de minha peregrinação, alcançando a coroa prometida aos que perseveram.
9º dia — Intercessão e recompensa dos justos
Depois de tantos anos de solidão e penitência, ó Santo Onofre, recebestes de Deus a coroa da glória, e agora, do alto do Céu, intercedeis pelos que a vós recorrem na terra. Vossa vida escondida foi manifestada, e vossa santidade tornou-se fonte de bênçãos para incontáveis fiéis. Neste nono e último dia de novena, deposito com plena confiança em vossas mãos as intenções que vos apresentei durante estes dias. Levai meus pedidos ao trono da divina misericórdia, e alcançai-me o auxílio de que tanto necessito. Ensinai-me a buscar antes de tudo o Reino de Deus, certo de que o mais me será dado por acréscimo. Santo Onofre, glorioso eremita, alcançai-me a graça que agora imploro, se for para o bem de minha alma, e a graça maior de perseverar na confiança em Deus, até vos encontrar na pátria eterna, louvando o Senhor para sempre.