Novena de São Vicente de Paulo

Pai dos pobres; caridade e serviço aos necessitados · Festa: 27 de setembro

São Vicente de Paulo nasceu em 1581, na França, filho de humildes camponeses, e tornou-se sacerdote ainda jovem. Depois de uma conversão profunda, dedicou toda a vida ao serviço dos pobres, dos doentes, dos presos e dos abandonados, vendo em cada um deles o próprio Cristo. Fundou a Congregação da Missão e, com Santa Luísa de Marillac, as Filhas da Caridade, organizando a assistência aos necessitados de maneira nova e duradoura. Ficou conhecido como o pai dos pobres e é padroeiro das obras de caridade.

Rezamos esta novena para pedir a São Vicente a graça de um coração compassivo e de mãos generosas para servir os que sofrem. Ele nos ensina que a caridade é o rosto concreto do amor a Deus, e que servir os pobres é servir o próprio Senhor. A sua intercessão nos alcança sensibilidade diante da miséria alheia, desprendimento dos bens e alegria no dom de si.

Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem a sua festa, em 27 de setembro, ou sempre que se deseje crescer na caridade e no serviço. Reze a oração inicial e a oração final em todos os dias, junte a meditação própria de cada dia e termine com um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai.

Como rezar esta novena

  1. Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
  2. Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
  3. Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
  4. Encerre com a Oração final.

Orações de todos os dias

Oração inicial

Ó Deus, Pai de misericórdia, que suscitastes São Vicente de Paulo como apóstolo da caridade e pai dos pobres, olhai com bondade para nós que o invocamos. Concedei-nos, por sua intercessão, um coração compassivo diante do sofrimento, mãos generosas para socorrer os necessitados e olhos que reconheçam o vosso Filho no rosto dos mais pobres. Fazei que o nosso amor não fique nas palavras, mas se traduza em obras. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Oração final

São Vicente de Paulo, pai dos pobres e servo dos que sofrem, apresentai ao Senhor os pedidos que hoje Vos confiamos. Alcançai-nos a graça de amar de verdade, de servir com humildade e de nos entregar aos irmãos, até chegarmos convosco à alegria eterna do Reino. Amém.

Os 9 dias da novena

1º dia — O encontro com Cristo nos pobres

O segredo de toda a vida de São Vicente foi descobrir o rosto de Cristo no rosto dos pobres. Ele ensinava que, ao servir os necessitados, servimos o próprio Senhor, e que os pobres são os nossos senhores e mestres. Essa convicção transformava o gesto de esmola em ato de fé e o cuidado do enfermo em adoração. Muitas vezes, porém, passamos ao lado do sofrimento sem enxergar nele a presença de Deus. Peçamos hoje olhos novos para reconhecer Cristo em quem precisa de nós. Ó São Vicente, que víeis o Senhor em cada pobre, alcançai-me a graça de olhar os que sofrem com o mesmo amor com que olho para Cristo, e de servi-los sabendo que a Ele mesmo estou servindo. Amém.

2º dia — A conversão do coração

São Vicente nem sempre foi o apóstolo da caridade que conhecemos. Em sua juventude buscava segurança e progresso pessoal, até que a graça de Deus tocou o seu coração e o voltou inteiramente para os pobres. A sua história nos lembra que a santidade nasce de uma conversão, de um deixar cair as ambições egoístas para abraçar a vontade de Deus. Também nós carregamos apegos que precisam ser purificados. Deixemo-nos hoje interpelar por esse chamado à mudança. Ó São Vicente, que conhecestes a força transformadora da graça, alcançai-me a conversão do coração, para que eu abandone o egoísmo e as vaidades e me deixe conduzir inteiramente pelo amor de Deus e pelo serviço aos irmãos. Amém.

3º dia — A caridade que se faz obra

São Vicente costumava dizer que amemos a Deus, mas que seja com o suor do nosso rosto e o esforço dos nossos braços. Para ele, o amor verdadeiro não se contenta com bons sentimentos, mas se derrama em obras concretas de socorro e serviço. Não bastava lamentar a miséria alheia; era preciso agir para aliviá-la. Muitas vezes nos comovemos com o sofrimento, mas paramos antes de ajudar de fato. Sejamos hoje despertados para a caridade ativa. Ó São Vicente, que unistes o amor ao trabalho incansável pelos pobres, alcançai-me a graça de não me contentar com boas intenções, mas de traduzir o meu amor em gestos concretos, servindo os necessitados com dedicação e sacrifício. Amém.

4º dia — A humildade no servir

São Vicente ensinava que a humildade é o fundamento de toda a virtude e o caminho seguro para servir sem buscar a si mesmo. Ele mesmo, embora rodeado de grandes obras e influência, se considerava o menor de todos e atribuía tudo a Deus. Servir com humildade é fazer o bem sem alarde, sem esperar reconhecimento, contentando-se em agradar ao Senhor. Muitas vezes o orgulho contamina até as nossas boas ações. Peçamos hoje o dom de servir escondidos. Ó São Vicente, humilde entre os humildes, alcançai-me a graça de servir sem vaidade nem desejo de aplauso, de reconhecer que todo bem vem de Deus e de me alegrar em ser pequeno aos olhos dos homens para ser grande aos olhos do Senhor. Amém.

5º dia — A mansidão e a paciência

Apesar do seu temperamento naturalmente ardente, São Vicente trabalhou toda a vida para se tornar manso e paciente, e alcançou tal doçura que atraía os corações mais endurecidos. Dizia que se conquistam mais almas com a mansidão do que com a dureza, e que a paciência é irmã da caridade. Tratar os pobres e os difíceis com bondade exige domínio de si e amor perseverante. Também nós, diante das provocações e da impaciência, somos chamados a essa serenidade. Ó São Vicente, modelo de mansidão conquistada com esforço, alcançai-me a graça de dominar os meus impulsos, de tratar a todos com bondade e paciência, e de vencer o mal com a doçura que nasce da verdadeira caridade. Amém.

6º dia — A confiança na Providência

São Vicente empreendeu obras imensas sem outros recursos senão a confiança na Providência de Deus. Não se precipitava nem se angustiava, mas esperava com paz que o Senhor abrisse os caminhos no seu tempo. Costumava dizer que quem se apressa em relação a Deus atrasa a obra, e que a Providência não falha a quem nela confia. Essa serena entrega o livrava da ansiedade e o mantinha disponível à vontade divina. Nós, tantas vezes ansiosos com o amanhã, temos muito a aprender. Ó São Vicente, homem de plena confiança na Providência, alcançai-me a graça de me abandonar ao cuidado de Deus, de agir sem ansiedade e de esperar com paz que o Senhor conduza as minhas obras e a minha vida para o bem. Amém.

7º dia — O serviço aos abandonados

O coração de São Vicente se voltava de modo especial para os mais esquecidos: as crianças abandonadas, os presos nas galés, os doentes sem recursos, os que ninguém queria socorrer. Onde a miséria era maior e a esperança menor, ali ele acorria com mais empenho. Ensinava que se deve começar pelos que estão em maior necessidade, pois neles Cristo mais espera por nós. Também ao nosso redor há os que passam despercebidos e sozinhos. Voltemos para eles o nosso olhar. Ó São Vicente, amigo dos abandonados, alcançai-me a graça de me aproximar dos que ninguém procura, de socorrer os mais esquecidos e de levar consolação e esperança àqueles que mais sofrem a solidão e o desamparo. Amém.

8º dia — A oração como fonte da caridade

Embora tão ativo, São Vicente sabia que toda a sua caridade brotava da união com Deus na oração. Sem a oração, ensinava, a alma se esvazia e a ação se torna agitação estéril; com ela, o coração se enche do amor que depois se derrama nos irmãos. Por isso não descuidava do trato íntimo com o Senhor, mesmo em meio às muitas ocupações. A verdadeira caridade nasce da contemplação e a ela retorna. Cuidemos também nós dessa fonte. Ó São Vicente, que uníeis a oração ao serviço, alcançai-me a graça de nutrir a minha caridade na intimidade com Deus, de não separar a ação da vida interior e de haurir na oração as forças para amar e servir os meus irmãos. Amém.

9º dia — A alegria de dar a vida por amor

São Vicente gastou-se inteiramente pelos pobres, sem reservar nada para si, e nessa entrega encontrou não peso, mas alegria. Sabia que quem dá a vida por amor a recebe em plenitude, e que a felicidade verdadeira está em servir. A sua longa existência foi um contínuo doar-se que só terminou com a morte, no serviço de Deus e dos irmãos. Também nós somos chamados a esse dom generoso, que não empobrece, mas enche o coração de paz. Ofereçamos hoje a nossa vida por amor. Ó São Vicente, que vos entregastes até o fim pelos pobres, alcançai-me a graça de dar-me sem medida no serviço aos irmãos, de encontrar alegria no dom de mim mesmo e de perseverar na caridade até a hora de ser recebido convosco na glória de Deus. Amém.

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