Novena ao Senhor do Bonfim

O Bom Jesus do Bonfim, de Salvador na Bahia; devoção de fé, promessas e gratidão. · Festa: segunda sexta-feira após a Epifania, no mês de janeiro

A devoção ao Senhor do Bonfim nasceu do amor do povo ao Cristo crucificado, contemplado no instante em que, do alto da cruz, oferece ao Pai o bom fim de sua entrega por nós. Trazida de Portugal e enraizada de modo singular na cidade de Salvador, essa devoção fez do Bom Jesus do Bonfim refúgio dos aflitos, consolo dos enfermos e amparo dos que buscam um bom desfecho para as suas causas.

Reza-se esta novena para pedir a graça de um bom fim em tudo: na saúde, no trabalho, nas provações e, sobretudo, na hora derradeira. Diante do Crucificado aprendemos que nenhuma dor é vã quando unida à sua, e que Aquele que carregou a cruz até o fim não abandona quem nele confia. É devoção de promessas cumpridas e de gratidão fiel, pois o povo sabe reconhecer as graças recebidas.

Esta novena pode ser rezada nos nove dias que antecedem a festa de janeiro, ou em qualquer tempo de necessidade e súplica. Recomenda-se rezá-la com o coração contrito, diante de uma imagem do Senhor do Bonfim, começando cada dia com a oração inicial, meditando o tema próprio e concluindo com a oração final e um sincero propósito de conversão.

Como rezar esta novena

  1. Reze durante 9 dias seguidos, de preferência sempre no mesmo horário.
  2. Comece pela Oração inicial (a mesma em todos os dias).
  3. Leia e reze a meditação e a oração do dia correspondente, apresentando a sua intenção.
  4. Encerre com a Oração final.

Orações de todos os dias

Oração inicial

Senhor do Bonfim, Bom Jesus crucificado por amor de nós, eu me prostro diante de vossa cruz e adoro o sacrifício que consumou a nossa salvação. Vós que dissestes «está consumado» e entregastes o espírito nas mãos do Pai, dai-me a graça de confiar em vosso amor. Olhai as minhas necessidades, sustentai a minha fé e concedei-me, por vossa infinita bondade, um bom fim em todas as coisas. Nesta novena venho suplicar e agradecer, certo de que não desprezais o coração humilde e contrito. Amém.

Oração final

Senhor do Bonfim, recebei o louvor e a gratidão deste vosso servo. Se me for útil à salvação, concedei-me a graça que vos peço; se não convier, dai-me algo melhor e a paz de aceitar a vossa vontade. Guardai-me até o bom fim da vida eterna. Amém.

Os 9 dias da novena

1º dia — A cruz, trono do amor

Contemplemos o Senhor do Bonfim erguido na cruz, não como um vencido, mas como Rei que reina do alto do madeiro. Ali Ele não amaldiçoa quem o crucifica, mas intercede e perdoa. A cruz, instrumento de morte, torna-se para nós trono de amor e fonte de vida, porque foi ali que o Filho de Deus mostrou até onde chega o seu amor por cada um de nós. Quando olho para o Crucificado, aprendo que sou amado sem medida e que nenhuma culpa é maior que a sua misericórdia. Diante de vós, ó Bom Jesus, deponho hoje as minhas resistências e o meu orgulho. Senhor do Bonfim, ensinai-me a fazer da minha cruz um trono de amor e de confiança, e concedei-me a graça de nunca me afastar de vós. Amém.

2º dia — O bom fim de toda a vida

O nome mesmo do Senhor do Bonfim nos recorda que Cristo é o princípio e o fim de tudo. Ele conduz a história e a nossa vida a um bom termo, quando nos deixamos guiar por sua mão. Muitas vezes tememos o amanhã e nos angustiamos com o desfecho de nossas causas, esquecidos de que o Senhor caminha à nossa frente. Nada do que confiamos a Ele se perde. Aquele que levou a cruz até o fim, sem desistir, sabe conduzir também as nossas provações a um bom termo. Hoje entrego ao Bom Jesus tudo aquilo que me preocupa e cujo desfecho não depende de mim. Senhor do Bonfim, sede o bom fim de todos os meus caminhos, e dai-me confiança para esperar de vós o melhor, mesmo quando não compreendo. Amém.

3º dia — Refúgio dos aflitos

O povo sempre buscou no Senhor do Bonfim consolo para as horas de aflição. Aos pés de sua cruz choram os que sofrem, suplicam os desamparados e descansam os que já não têm forças. Ele conhece por dentro toda dor humana, pois experimentou o abandono, a angústia e a agonia. Por isso ninguém se aproxima em vão de quem tanto padeceu por amor. Diante do Crucificado, a minha aflição encontra Alguém que a compreende e a acolhe. Não estou só no meu sofrimento, porque o Bom Jesus se fez companheiro dos que carregam pesos. Trago hoje a vós, Senhor do Bonfim, o peso que me oprime o coração. Sede o meu refúgio nas horas de angústia, enxugai as minhas lágrimas e dai-me a serenidade de quem repousa em vossas chagas. Amém.

4º dia — A força na provação

Subir ao Calvário exigiu do Senhor uma força que não vinha da carne, mas do amor obediente ao Pai. Também nós somos chamados a atravessar provações que ultrapassam as nossas forças, e nelas descobrimos que a graça se aperfeiçoa na fraqueza. O Bom Jesus não nos poupa de toda cruz, mas nos dá o poder de carregá-la sem sucumbir. Quantas vezes pensei que não aguentaria, e no entanto cheguei até aqui, sustentado por uma força que reconheço não ser minha. Hoje quero deixar de confiar apenas em mim mesmo e apoiar-me em vós. Senhor do Bonfim, quando as minhas forças faltarem, sede vós a minha fortaleza; quando eu quiser desistir, amparai-me; e dai-me a perseverança de quem sabe que a cruz precede sempre a ressurreição. Amém.

5º dia — A saúde do corpo e da alma

Muitos recorrem ao Senhor do Bonfim pela cura de seus males, e o Santuário guarda os sinais das graças de saúde alcançadas. Cristo, que curou enfermos e devolveu a vida, continua a se compadecer da nossa fragilidade. Mais do que a saúde do corpo, porém, Ele deseja curar a alma das feridas do pecado, que são as enfermidades mais graves. A verdadeira cura é aquela que nos reconcilia com Deus e nos devolve a paz interior. Peço hoje pela saúde de que necessito, mas peço sobretudo pela cura do meu coração. Senhor do Bonfim, médico dos corpos e das almas, estendei sobre mim e sobre os que amo a vossa mão que sara. Curai o que em mim está doente, e se a doença permanecer, dai-me a graça de a oferecer unida à vossa cruz. Amém.

6º dia — As promessas fiéis

A devoção ao Bom Jesus do Bonfim é marcada pelas promessas que o povo fielmente cumpre em ação de graças. Prometer ao Senhor é reconhecer que dele tudo esperamos e que a ele tudo devemos. Mas o Senhor não se compra com promessas; Ele acolhe o coração sincero que, tendo recebido, quer retribuir com amor e fidelidade. A promessa que agrada a Deus é a que brota da confiança e se cumpre com gratidão. Quero hoje renovar diante de vós o meu compromisso de vida, mais do que qualquer voto exterior. Senhor do Bonfim, ajudai-me a ser fiel àquilo que prometo, a não esquecer os favores recebidos e a corresponder ao vosso amor com uma vida transformada. Concedei-me a graça que suplico e ensinai-me a sempre agradecer. Amém.

7º dia — A gratidão do coração

Entre os dez leprosos curados, apenas um voltou para agradecer, e o Senhor lamentou a ingratidão dos outros. O povo do Bonfim aprendeu a lição contrária, voltando sempre para render graças pelos favores alcançados. A gratidão é a memória do coração, que não esquece o bem recebido e reconhece em cada graça a mão amorosa de Deus. Quem sabe agradecer permanece aberto para receber ainda mais. Ao rever a minha vida, descubro tantos dons que recebi sem merecer e nem sempre reconheci. Hoje quero voltar, como o leproso agradecido, para render graças. Senhor do Bonfim, perdoai as minhas ingratidões e ensinai-me a louvar-vos por tudo, no que compreendo e no que ainda não entendo. Fazei do meu coração um cântico permanente de gratidão. Amém.

8º dia — A confiança até o fim

Do alto da cruz, o Senhor entregou o espírito nas mãos do Pai com uma confiança que a morte não venceu. Essa entrega serena é o segredo do bom fim: confiar sem reservas Àquele que nunca falha. Nós, porém, hesitamos, queremos controlar tudo e nos afligimos quando as coisas fogem de nosso domínio. O Bom Jesus nos ensina a abandonar-nos com paz nas mãos de Deus, mesmo diante do que mais tememos. Quero aprender de vós essa confiança que não se abala. Nas incertezas do presente e no mistério do futuro, ajudai-me a repetir com o coração: Pai, nas vossas mãos entrego a minha vida. Senhor do Bonfim, dai-me a graça de confiar em vós até o fim, sem angústia e sem medo, certo de que quem se entrega a vós jamais se perde. Amém.

9º dia — O bom fim da vida eterna

O maior de todos os bons fins é a vida eterna, meta para a qual caminhamos por entre as provações deste mundo. O Senhor do Bonfim, que venceu a morte pela cruz, é a nossa garantia de que também nós, se com Ele padecermos, com Ele reinaremos. Toda esta novena nos conduz a esse horizonte último: chegar em paz à casa do Pai. Não vivemos para este mundo apenas, mas para a eternidade bem-aventurada que nos foi prometida. Peço hoje a graça mais preciosa de todas, a de perseverar até o fim e alcançar a salvação. Senhor do Bonfim, concedei-me uma boa morte, reconciliado convosco e assistido pela vossa graça. E ao término da minha peregrinação, recebei-me na alegria sem fim do vosso Reino, para vos louvar eternamente. Amém.

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