2 Samuel 1:21
“Vós, montes de Gilboa, nem orvalho, nem chuva caia sobre vós, nem sobre vós, campos de ofertas alçadas, pois ahi desprezivelmente foi arrojado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se não fora ungido com oleo.”
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O que este versículo diz
Num gesto poético de grande força, Davi amaldiçoa os próprios montes de Gilboa, palco da tragédia: que nunca mais recebam orvalho nem chuva, que seus campos permaneçam estéreis, sem as ofertas que a terra fértil produz. A maldição sobre a terra é o modo do poeta expressar que aquele solo foi profanado pela morte dos valentes de Israel.
O centro do lamento é a imagem do escudo abandonado: ali foi lançado por terra "o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se não fora ungido com óleo". Escudos de couro eram untados com azeite para conservá-los, mas há aqui um duplo sentido pungente: Saul, o rei ungido com o óleo santo, jaz como um objeto desprezado, sua unção aparentemente esquecida na poeira do campo. A dignidade real profanada é o que mais fere Davi. O versículo nos lembra da fragilidade das glórias humanas: até o ungido cai, até o escudo do rei é largado no chão. Diante disso, só resta lamentar e reverenciar o que a morte tornou frágil.