Cânticos 1:6
“Não olheis para o eu ser morena; porque o sol resplandeceu sobre mim: os filhos de minha mãe se indignaram contra mim, puseram-me por guarda de vinhas; a minha vinha que me pertence não guardei.”
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O que este versículo diz
A amada explica a origem de sua pele queimada: não é traço herdado, mas efeito do trabalho ao sol. Os "filhos de minha mãe", ou seja, seus irmãos, indignaram-se com ela e a impuseram como "guarda de vinhas". A imagem final é comovente e carregada de sentido: cuidando das vinhas dos outros, ela não pôde guardar "a minha vinha que me pertence". A vinha própria costuma ser lida como metáfora do próprio corpo, da beleza ou de si mesma, negligenciada por causa das exigências alheias.
Há nisso uma verdade humana muito atual. Quantas vezes nos desgastamos cuidando de tudo e de todos, e deixamos por último aquilo que só a nós cabe zelar: a saúde, a alma, o descanso, a própria dignidade. O versículo não condena o trabalho, mas expõe com honestidade o custo de servir sob pressão injusta. Diante de Deus, aprendemos que também precisamos guardar a nossa vinha, pois quem não se cuida dificilmente cuida bem dos outros.