Eclesiastes 2:11
“E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como tambem para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflicção despirito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.”
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- Quem falaSalomão (o Pregador)
O que este versículo diz
Chega o veredito que o capítulo vinha preparando. O Pregador olha para trás, para tudo o que suas mãos fizeram e para todo o esforço investido, e o balanço é implacável: tudo é "vaidade", vapor, e "aflição de espírito" — uma expressão que evoca correr atrás do vento e nunca alcançá-lo. Nenhum "proveito", nenhum ganho líquido e permanente, restou debaixo do sol. A expressão "debaixo do sol" delimita o horizonte da análise: a vida considerada apenas em seus próprios termos, sem olhar para o alto.
É importante notar o que ele não diz. Não afirma que as obras foram más ou desprezíveis, nem que a alegria foi falsa. Diz que, medidas pela pergunta "o que sobra no fim?", elas não dão a resposta definitiva. Esse desencanto, longe de ser niilismo, pode ser o começo da sabedoria: quando paramos de exigir da criação o que só o Criador oferece, ficamos livres para recebê-la como dom, e não como salvação.