Isaías 10:14
“E achou a minha mão as riquezas dos povos como a um ninho, e como se ajuntam os ovos deixados, assim eu ajuntei a toda a terra, e não houve quem movesse a aza, ou abrisse a boca, ou chilrasse.”
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“E achou a minha mão as riquezas dos povos como a um ninho, e como se ajuntam os ovos deixados, assim eu ajuntei a toda a terra, e não houve quem movesse a aza, ou abrisse a boca, ou chilrasse.”
O que este versículo diz
A imagem final da jactância é reveladora: o rei compara a conquista das riquezas dos povos a colher ovos de um ninho abandonado. Nada resistiu, ninguém sequer "moveu a asa, ou abriu a boca, ou piou". A facilidade da rapina, na sua fala, prova sua grandeza; o silêncio das nações é o troféu do seu terror.
Mas a metáfora, sem que o rei perceba, o rebaixa. Recolher ovos de um ninho desamparado não é bravura, é covardia diante do indefeso. O que ele apresenta como proeza é, na verdade, exploração dos que não podiam se defender — o mesmo pecado dos opressores de Judá nos primeiros versículos. A soberba sempre se admira nas ações que deveriam envergonhá-la. Para o leitor, fica a advertência de que a linguagem do poder costuma maquiar a crueldade de conquista. E também um lembrete: o silêncio dos oprimidos não significa ausência de testemunha. Há Quem ouça o pio que ninguém deu.