Jeremias 14:6

Jeremias 14:6
“E os jumentos montezes se põem nos lugares altos, sorvem o vento como os dragões, desfalecem os seus olhos, porquanto não ha erva.”
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O que este versículo diz

A galeria de imagens da seca se completa com os jumentos selvagens, animais rústicos e resistentes, capazes de suportar condições duras. Se até eles desfalecem, a situação chegou ao extremo. Postados nos lugares altos, arfam com a boca aberta, "sorvendo o vento" como quem busca desesperadamente qualquer alívio. A comparação com os "dragões", que em muitas versões modernas aparece como chacais, evoca o ofego angustiado de criaturas à beira da exaustão. Seus olhos se apagam, sinal de vida que se esvai por falta de pasto.

Com essa cena, Jeremias fecha a primeira parte do capítulo: a criação inteira, do homem ilustre à corça e ao jumento montês, definha sob o mesmo céu de bronze. A acumulação de imagens não busca sensacionalismo, mas conduzir o leitor a sentir o peso real da calamidade. E é justamente desse fundo de desespero que brotará, no versículo seguinte, a oração. A dor, quando levada a sério, muitas vezes abre os lábios para a súplica.

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