Juízes 15:16
“Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento um montão, dois montões; com uma queixada de jumento feri a mil homens.”
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“Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento um montão, dois montões; com uma queixada de jumento feri a mil homens.”
O que este versículo diz
Sansão celebra o feito com um trocadilho poético que se perde na tradução: em hebraico, a mesma palavra chamor significa tanto 'jumento' quanto 'montão'. Assim, o grito ecoa um único termo repetido, algo como 'com a queixada do chamor, um montão, dois montões' — o animal e as pilhas de mortos partilham o mesmo som, num jogo intraduzível por inteiro. É um cântico de vitória, breve e vibrante, no estilo das celebrações guerreiras do Antigo Testamento, e reflete o júbilo do momento. Ao mesmo tempo, o leitor nota que o louvor de Sansão fixa-se nele mesmo e em sua arma, sem uma palavra de reconhecimento a Deus, cujo Espírito acabara de capacitá-lo. O contraste com o cântico de Débora, no capítulo 5, que atribuía tudo ao Senhor, é revelador. É fácil, na euforia da conquista, cantar as próprias mãos e esquecer a fonte da força. Para nós fica o convite a examinar de quem falam os nossos cânticos de vitória: celebramos o dom ou o Doador?