Rute 1:11
“Porém Noemi disse: Tornae, minhas filhas, porque irieis comigo? tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos fossem por maridos?”
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“Porém Noemi disse: Tornae, minhas filhas, porque irieis comigo? tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos fossem por maridos?”
O que este versículo diz
Noemi argumenta com realismo doloroso. Chamando-as ternamente de "minhas filhas", ela expõe a lógica do costume do levirato, segundo o qual um parente próximo, muitas vezes um irmão, deveria casar-se com a viúva para dar continuidade à descendência do falecido. Como não tem mais filhos no ventre para oferecer-lhes como maridos, considera não haver futuro para as noras ao seu lado. Sua pergunta, "por que iríeis comigo?", nasce do desejo de não arrastar as jovens para a mesma esterilidade e desamparo que a consomem.
O que impressiona é a ausência total de egoísmo. Noemi poderia reter as noras como amparo para a própria velhice, mas escolhe pensar no bem delas. Sua amargura não a tornou manipuladora. Para o leitor, há uma lição sobre o amor que renuncia: às vezes amar é justamente soltar, abrir mão de nossa conveniência para não sobrecarregar quem amamos. Ainda assim, o desígnio de Deus já preparava um futuro que Noemi, na sua dor, não conseguia imaginar.