Marcos 14:65
“E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.”
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“E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.”
O que este versículo diz
Condenado, Jesus é entregue à humilhação física. Cospem nele, cobrem-lhe o rosto, batem-lhe com os punhos e o desafiam: "Profetiza". A zombaria tem um alvo preciso — provocam o profeta a adivinhar quem o golpeou, escarnecendo do seu dom. Cobrir-lhe o rosto e depois exigir profecia é a crueldade que ridiculariza justamente aquilo que Jesus é. E os serviçais se juntam com bofetadas, num crescendo de violência gratuita contra quem não reage. Marcos mostra o Justo entregue não só à sentença, mas ao desprezo mais baixo, cumprindo em silêncio a figura do Servo Sofredor que oferece o rosto aos que o ferem. A cena é dolorosa de contemplar, e é feita para ser contemplada: aqui está Deus, tornado alvo do escárnio humano, suportando em mansidão o que não merecia. Para o leitor, esse quadro convida à compaixão diante do sofrimento de Cristo e à solidariedade com todos os que hoje são humilhados e ridicularizados. E interroga: de que lado da cena estamos, o do escárnio ou o da compaixão?