Marcos 7:33
“E, tirando-o à parte, de entre a multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe a língua.”
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“E, tirando-o à parte, de entre a multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe a língua.”
O que este versículo diz
A cura é descrita com incomum riqueza de gestos. Jesus tira o homem "à parte, de entre a multidão", buscando um encontro pessoal, longe do espetáculo e dos olhares. Depois, mete-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, toca-lhe a língua. São gestos concretos, quase táteis, dirigidos exatamente aos dois pontos feridos daquele corpo — o ouvido que não ouvia e a língua que não falava.
Há aqui uma pedagogia da compaixão. Como o homem era surdo e não podia ouvir palavras, Jesus se comunica pela linguagem que ele podia entender: o toque. Cada gesto diz, sem som, o que vai acontecer. A saliva, tida no mundo antigo como portadora de força curativa, integra-se a esse diálogo silencioso. Jesus não cura à distância nem por fórmula; entra na condição do homem, adapta-se à sua limitação, fala a língua dele. É assim que Deus costuma agir conosco — desce até onde estamos, usa sinais que possamos compreender, encontra cada um em sua carência particular. A cura começa por um Jesus que se aproxima, retira do meio da multidão e trata pessoalmente.