Mateus 23:37

Mateus 23:37
“Jerusalem, Jerusalem, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das azas, e vós não quizestes!”
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O que este versículo diz

O tom muda completamente. Da denúncia, Jesus passa ao lamento, e o coração do discurso se revela como amor ferido: "Jerusalém, Jerusalém". A repetição do nome é gesto de ternura e de dor. A cidade que "mata os profetas" é a mesma que ele desejou reunir "como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas". A imagem é maternal e comovente: proteção, calor, abrigo diante do perigo. E o "quantas vezes quis eu" sugere um desejo persistente, repetido ao longo do tempo, de acolher.

Mas a frase termina num muro: "e vós não quisestes". Aqui está o mistério doloroso da liberdade humana capaz de recusar o amor de Deus. Não é Deus quem se afasta; é o povo que se esquiva das asas abertas. Este versículo desfaz qualquer leitura fria dos "ais" anteriores: por trás de toda a severidade havia um coração que só queria abrigar. Para nós, é um convite sereno e urgente a nos deixarmos reunir. Quantas vezes Deus estende as asas e nós, por medo ou orgulho, permanecemos fora? O abrigo continua oferecido; falta apenas o nosso sim.

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