Ester 3:12
“Então chamaram os escrivães do rei no primeiro mês, no dia treze do mesmo, e conforme a tudo quanto Haman mandou se escreveu aos príncipes do rei, e aos governadores que havia sobre cada província, e aos principais de cada povo; a cada província segundo a sua escritura, e a cada povo segundo a sua língua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou.”
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O que este versículo diz
A máquina burocrática se põe em movimento. No dia treze do primeiro mês, os escrivães reais redigem o decreto exatamente conforme Haman ordenou, endereçado a sátrapas, governadores e chefes de cada povo, cada província em sua própria escrita, cada povo em sua própria língua. O cuidado administrativo é meticuloso — o mesmo império que se orgulhava de respeitar a diversidade de línguas usa agora essa eficiência para difundir a morte. O decreto é lavrado em nome do rei e selado com seu anel, tornando-se, pela lei persa, irrevogável. Impressiona o contraste entre a frieza do procedimento e a monstruosidade do conteúdo: papéis, selos, cópias oficiais, tudo organizado para viabilizar um genocídio. O narrador expõe assim uma verdade perturbadora sobre o mal institucional — ele raramente grita; muitas vezes apenas assina, arquiva e distribui. Para o leitor, fica o cuidado de nunca deixar que a eficiência administrativa silencie a consciência. Ordens podem ser legais e ainda assim profundamente injustas, e obedecê-las sem questionar não isenta ninguém.