Lamentações 4:4

Lamentações 4:4
“A língua do mesmo que mama de sêde fica pegada ao seu paladar: os meninos pedem pão, e não ha quem lho reparta.”
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O que este versículo diz

Continua o retrato cru da fome durante o cerco de Jerusalém. A cena é insuportavelmente concreta: a criança de peito tem a língua "pegada ao paladar" pela sede, e os meninos maiores pedem pão sem que ninguém tenha o que repartir. Depois das imagens do ouro e dos animais, o poema agora aponta o dedo para o sofrimento mais indefensável de todos — o das crianças, que nada fizeram para merecer a catástrofe.

Esse é o coração pastoral das Lamentações: não deixar que a queda de Jerusalém vire estatística abstrata. Há rostos, há bocas ressecadas, há mãos vazias que não têm o que dar. Para quem lê hoje, o versículo é um chamado a não desviar o olhar da fome real que ainda existe no mundo. A oração autêntica diante desse texto não se contenta com compaixão sentimental; ela move à ação, ao pão repartido, à solidariedade concreta com quem pede e não encontra quem lhe dê.

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