Tiago 3

O domínio da língua

18 versículos · capítulo 3 de 5

Tiago 3
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Neste capítulo, Tiago alerta sobre o poder da língua, comparando-a a um freio que guia cavalos ou a um pequeno leme que direciona grandes navios, mostrando como palavras podem causar grande dano, tal como uma pequena faísca incendeia uma floresta inteira. O autor lamenta que a mesma boca usada para bendizer a Deus também sirva para maldizer pessoas feitas à imagem divina, algo que não deveria acontecer, assim como uma fonte não produz ao mesmo tempo água doce e amarga. O capítulo termina contrastando a sabedoria terrena, cheia de inveja e contenda, com a sabedoria que vem do alto, pura, pacífica e cheia de misericórdia e bons frutos.

1 Meus irmãos, não sejais mestres, sabendo que receberemos maior juízo.

2 Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguem não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito, e poderoso para tambem refrear todo o corpo.

3 Eis aqui que nós pomos freio nas bocas aos cavalos, para que nos obedeçam; e governamos todo o seu corpo.

4 Vêde tambem as náos que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer que quizer a vontade daquele que as governa.

5 Assim tambem a língua é um pequeno membro, e gloría-se de grandes coisas. Vêde quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.

6 A língua tambem é fogo, mundo de iniquidade; assim a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama a roda do nosso nascimento, e é inflamada do inferno.

7 Porque toda a natureza, tanto de bestas féras como de aves, tanto de reptis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana;

8 Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear, está cheia de peçonha mortal.

9 Com ela bemdizemos a Deus e Pai, e com ela maldizemos os homens, feitos à semelhança de Deus.

10 De uma mesma boca procede benção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.

11 Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?

12 Meus irmãos, pode tambem a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tambem nenhuma fonte pode produzir água salgada e água doce.

13 Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre por seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria.

14 Porém, se tendes amarga inveja, e contenda em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade;

15 Esta sabedoria não é sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.

16 Porque onde ha inveja e contenda ahi ha perturbação e toda a obra perversa.

17 Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.

18 Ora o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.

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Texto da tradução João Ferreira de Almeida — domínio público.