Jó 10

22 versículos · capítulo 10 de 42

Jó 10
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Cansado da própria vida, Jó dirige-se a Deus pedindo que não seja condenado sem explicação, questionando por que Aquele que o formou como o barro nas mãos do oleiro agora parece tratá-lo como inimigo. Ele recorda com ternura como Deus o moldou no ventre materno, vestindo-o de pele e carne, e não entende como o mesmo cuidado amoroso se transformou em perseguição implacável. Jó termina implorando um pouco de alívio antes de partir para a terra da escuridão e da sombra da morte, de onde não há retorno, revelando o desespero de quem não encontra sentido para o próprio sofrimento.

1 A minha alma tem tedio à minha vida: darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma. Locutor:

2 Direi a Deus: Não me condemnes: faze-me saber porque contendes comigo. Locutor: Personagens: Deus

3 Parece-te bem que me oprimas? que rejeites o trabalho das tuas mãos? e resplandeças sobre o conselho dos ímpios? Locutor:

4 Tens tu porventura olhos de carne? vês tu como vê o homem? Locutor:

5 São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de um homem, Locutor:

6 Para te informares da minha iniquidade, e averiguares o meu pecado? Locutor:

7 Bem sabes tu que eu não sou ímpio: todavia ninguem ha que me livre da tua mão. Locutor:

8 As tuas mãos me fizeram e me formaram todo em roda; comtudo me consomes. Locutor:

9 Peço-te que te lembres de que como barro me formaste e me farás tornar em pó. Locutor:

10 Porventura não me vasaste como leite, e como queijo me não coalhaste? Locutor:

11 De pele e carne me vestiste, e com ossos e nervos me ligaste. Locutor:

12 Vida e beneficência me fizeste: e o teu cuidado guardou o meu espírito. Locutor:

13 Porém estas coisas as ocultaste no teu coração: bem sei eu que isto esteve contigo. Locutor:

14 Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me escusarás. Locutor:

15 Se for ímpio, ai de mim! e se for justo, não levantarei a minha cabeça: farto estou de afronta; e olho para a minha miseria. Locutor:

16 Porque se vae crescendo; tu me caças como a um leão feroz: tornas-te, e fazes maravilhas contra mim. Locutor:

17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; revezes e combate estão comigo. Locutor:

18 Por quepois me tiraste da madre? Ah se então dera o espírito, e olhos nenhuns me vissem! Locutor:

19 Que tivera sido como se nunca fora: e desde o ventre fora levado à sepultura! Locutor:

20 Porventura não são poucos os meus dias? cessa pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento; Locutor:

21 Antes que vá e donde nunca torne, à terra da escuridão e da sombra da morte; Locutor:

22 Terra escurissima, como a mesma escuridão, terra da sombra, da morte e sem ordem alguma e onde a luz é como a escuridão. Locutor:

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Personagens 1

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Texto da tradução João Ferreira de Almeida — domínio público.