Jó 21

Job

34 versículos · capítulo 21 de 42

Jó 21
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Jó rebate diretamente a tese dos amigos, argumentando com realismo que muitos ímpios, ao contrário do que eles afirmam, vivem tranquilos, envelhecem com poder, veem seus filhos prosperarem e morrem em paz e conforto. Ele pede que o escutem com atenção antes de zombar de suas palavras, mostrando que a experiência do mundo real contradiz a fórmula simples de que o sofrimento sempre castiga o pecado. Esse discurso questiona com coragem a doutrina da retribuição defendida pelos três amigos, abrindo espaço para uma compreensão mais complexa da justiça divina.

1 Respondeu porém Job, e disse: Locutor: Personagens:

2 Ouvi atentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolações. Locutor:

3 Sofrei-me, e eu falarei: e, havendo eu falado, zombae. Locutor:

4 Porventura eu me queixo a algum homem? porém, ainda que assim fosse, porque se não angustiaria o meu espírito? Locutor:

5 Olhae para mim, e pasmae: e ponde a mão sobre a boca. Locutor:

6 Porque, quando me lembro disto, me perturbo, e a minha carne é sobresaltada dhorror. Locutor:

7 Por que razão vivem os ímpios? envelhecem, e ainda se esforçam em poder? Locutor:

8 A sua semente se estabelece com eles perante a sua face; e os seus renovos perante os seus olhos. Locutor:

9 As suas casas teem paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles. Locutor: Personagens: Deus

10 O seu touro gera, e não falha: pare a sua vaca, e não aborta. Locutor:

11 Mandam fora as suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando. Locutor:

12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som dos orgãos. Locutor:

13 Na prosperidade gastam os seus dias, e num momento descem à sepultura. Locutor:

14 E, todavia, dizem a Deus: Retirate de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos. Locutor: Personagens: Deus

15 Quem é o Todo-poderoso, para que nós o sirvamos? e que nos aproveitará que lhe façamos orações? Locutor: Personagens: Deus

16 Vêde porém que o seu bem não está na mão deles: esteja longe de mim o conselho dos ímpios! Locutor:

17 Quantas vezes sucede que se apaga a candeia dos ímpios, e lhes sobrevem a sua destruição? e Deus na sua ira lhes reparte dôres! Locutor: Personagens: Deus

18 Porque são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho. Locutor:

19 Deus guarda a sua violência para seus filhos, e lhe dá o pago, que o sente. Locutor: Personagens: Deus

20 Seus olhos vêem a sua ruína, e ele bebe do furor do Todo-poderoso. Locutor: Personagens: Deus

21 Porque, que prazer teria na sua casa, depois de si, cortando-se-lhe o numero dos seus meses? Locutor:

22 Porventura a Deus se ensinaria sciencia, a ele que julga os excelsos? Locutor: Personagens: Deus

23 Este morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e socegado. Locutor:

24 Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos. Locutor:

25 E outro morre, ao contrário, na amargura do seu coração, não havendo comido do bem. Locutor:

26 Juntamente jazem no pó, e os bichos os cobrem. Locutor:

27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos: e os maus intentos com que injustamente me fazeis violência. Locutor:

28 Porque direis: Onde está a casa do príncipe? e onde a tenda das moradas dos ímpios? Locutor:

29 Porventura o não perguntastes aos que passam pelo caminho? e não conheceis os seus sinais? Locutor:

30 Que o mau é preservado para o dia da destruição; e são levados no dia do furor. Locutor:

31 Quem acusará diante dele o seu caminho? e quem lhe dará o pago do que faz? Locutor:

32 Finalmente é levado às sepulturas, e vigia no montão. Locutor:

33 Os torrões do vale lhe são doces, e atrahe a si a todo o homem; e diante de si ha inumeráveis. Locutor:

34 Como pois me consolais com vaidade? pois nas vossas respostas ainda resta a transgressão. Locutor:

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Personagens 1

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Texto da tradução João Ferreira de Almeida — domínio público.