Salmos 102

28 versículos · capítulo 102 de 150

Salmos 102
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O Salmo 102 é a oração angustiada de alguém aflito, que descreve seus dias consumidos como fumaça e seus ossos ardendo, comparando-se a um pelicano no deserto e a um pardal solitário, enquanto pede ao Senhor que não esconda o rosto e ouça seu clamor depressa. Apesar do sofrimento pessoal, o salmista volta o olhar para a fidelidade eterna de Deus, que permanece para sempre e terá piedade de Sião, reconstruindo-a em sua glória para que gerações futuras louvem o seu nome. O salmo conclui contrastando a fragilidade humana e até dos céus, que se desgastam como um vestido, com a eternidade imutável do Senhor, cujos anos nunca têm fim.

1 Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.

2 Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.

3 Porque os meus dias se consomem como o fumo, e os meus ossos ardem como um lar.

4 O meu coração está ferido e seco como a erva, pelo que me esqueço de comer o meu pão

5 Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam à minha pele.

6 Sou semelhante ao pelicano no deserto: sou como um mocho nas solidões.

7 Vigio, sou como o pardal solitário no telhado.

8 Os meus inimigos me afrontam todo o dia: os que se enfurecem contra mim teem jurado.

9 Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lágrimas a minha bebida.

10 Por causa da tua ira e da tua indignação, pois tu me levantaste e me arremeçaste.

11 Os meus dias são como a sombra que declina, e como a erva me vou secando.

12 Mas tu, Senhor, permanecerás para sempre, e a tua memoria de geração em geração.

13 Tu te levantarás e terás piedade de Sião; pois o tempo de te compadeceres dela, o tempo determinado, já chegou. Local: Sião

14 Porque os teus servos teem prazer nas suas pedras, e se compadecem do seu pó.

15 Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a tua gloria.

16 Quando o Senhor edificar a Sião, aparecerá na sua gloria. Local: Sião

17 Ele atenderá à oração do desamparado, e não desprezará a sua oração.

18 Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se criar louvará ao Senhor.

19 Pois olhou desde o alto do seu santuário, desde os céus o Senhor contemplou a terra.

20 Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados à morte;

21 Para anunciarem o nome do Senhor em Sião, e o seu louvor em Jerusalem; Local: Sião

22 Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao Senhor.

23 Abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.

24 Dizia eu: Meu Deus, não me leves no meio dos meus dias, os teus anos são por todas as gerações.

25 Desde a antiguidade fundaste a terra: e os céus são obra das tuas mãos.

26 Eles perecerão, mas tu permanecerás: todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.

27 Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.

28 Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada perante ti.

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Texto da tradução João Ferreira de Almeida — domínio público.