Jeremias 51

64 versículos · capítulo 51 de 52

Jeremias 51
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Jeremias 51 continua o oráculo contra a Babilônia, descrevendo um vento destruidor e uma coligação de nações, entre elas os reis da Média, levantada pelo Senhor para derrubar a cidade que havia sido como um copo de ouro embriagando as nações. O profeta contrasta os ídolos sem vida, obra de mãos humanas, com o Deus vivo que formou todas as coisas e é chamado de porção de Jacó. A mensagem reafirma que a queda de Babilônia é uma vingança do Senhor pelo templo profanado em Sião.

1 Assim diz o Senhor: Eis que levantarei um vento destruidor contra Babilonia, e contra os que habitam no coração dos que se levantam contra mim.

2 E enviarei padejadores contra Babilonia, que a padejarão, e despejarão a sua terra; porque virão contra ela de redor no dia da calamidade.

3 O frecheiro arme o seu arco contra o que arma o seu arco, e contra o que presume da sua couraça; e não perdoeis a seus mancebos; destruí a todo o seu exército.

4 E os mortos caiam na terra dos chaldeos, e os atravessados pelas ruas.

5 Porque Israel e Judá não foram deixados viúvas do seu Deus, do Senhor dos Exércitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas perante o Santo de Israel.

6 Fugi do meio de Babilonia, e livrae cada um a sua alma, e não vos destruais a vós na sua maldade: por-* que este é o tempo da vingança do Senhor, que lhe paga retribuição.

7 Era Babilonia um copo de ouro na mão do Senhor, que embriagava a toda a terra: do seu vinho beberam as nações; por isso as nações enlouqueceram.

8 Num momento caiu Babilonia, e ficou arruinada: uivae sobre ela, tomae bálsamo para a sua dôr, porventura sarará.

9 Sarámos a Babilonia, porém ela não sarou; deixae-a, e vamo-nos cada um para a sua terra: porque o seu juízo chegou até ao céu, e se elevou até às mais altas nuvens

10 O Senhor tirou a nossa justiça à luz: vinde e contemos em Sião a obra do Senhor, nosso Deus.

11 Alimpae as frechas, preparae perfeitamente os escudos: o Senhor despertou o espírito dos reis da Media; porque o seu intento contra Babilonia é para a destruir; porque esta é a vingança do Senhor, a vingança do seu templo.

12 Arvorae bandeira sobre os muros de Babilonia, reforçae a guarda, colocae guardas, preparae as ciladas; porque como o Senhor intentou, assim fez o que tinha falado acerca dos moradores de Babilonia.

13 Tu que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros, veio o teu fim, a medida da tua avareza.

14 Jurou o Senhor dos Exércitos por si mesmo, dizendo: Ainda que te enchi de homens, como de pulgão, comtudo cantarão com júbilo sobre ti.

15 Aquele que fez a terra com o seu poder, e ordenou o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento.

16 Dando ele a sua voz, grande estrondo de águas ha nos céus, e faz subir os vapores desde o fim da terra: faz os relâmpagos com a chuva, e tira o vento dos seus tesouros.

17 Embruteceu-se todo o homem, e não tem sciencia; envergonhou-se todo o ourives de imagem de esculptura; porque a sua imagem de fundição mentira é, e não ha espírito nelas.

18 Vaidade são, obra de enganos: no tempo da sua visitação perecerão.

19 Não é semelhante a estes a porção de Jacó; porque ele é o que formou tudo; e Israel é a tribo da sua herança: o Senhor dos Exércitos é o seu nome. Personagens: Jacó

20 Tu me és martelo e armas de guerra, e por ti despedaçarei nações, e por ti destruirei os reis;

21 E por ti despedaçarei o cavalo e o seu cavaleiro; e por ti despedaçarei o carro e o que vae montado nele;

22 E por ti despedaçarei o homem e a mulher, e por ti despedaçarei o velho e o moço; e por ti despedaçarei o mancebo e a virgem;

23 E por ti despedaçarei o pastor e o seu rebanho; e por ti despedaçarei o lavrador e a sua junta de bois; e por ti despedaçarei os capitães e os magistrados.

24 Mas pagarei a Babilonia, e a todos os moradores da Chaldea, toda a sua maldade, que fizeram em Sião, aos vossos olhos, diz o Senhor.

25 Eis-me aqui contra ti, ó monte destruidor, diz o Senhor, que destroes toda a terra; e estenderei a minha mão contra ti, e te revolverei das rochas, e farei de ti um monte de queima.

26 E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundamentos, porque te tornarás em assolações perpétuas, diz o Senhor.

27 Arvorae bandeira na terra, tocae a buzina entre as nações, sanctificae as nações contra ela, convocae contra ela os reinos de Ararat, Mini, e Asquenaz: ordenae contra ela um capitão, fazei subir cavalos, como pulgão arripiado.

28 Sanctificae contra ela as nações, os reis da Media, os seus capitães, e todos os seus magistrados, como tambem toda a terra do seu domínio.

29 Então tremerá a terra, e doer-se-ha, porque cada um dos desígnios do Senhor está firme contra Babilonia, para fazer da terra de Babilonia uma assolação, de sorte que não haja nela habitante.

30 Os valentes de Babilonia cessaram de pelejar, ficaram-se nas fortalezas, desfaleceu a sua força tornaram-se como mulheres: incendiaram as suas moradas, quebrados foram os seus ferrolhos.

31 Um correio correrá ao encontro de outro correio, e um mensageiro ao encontro de outro mensageiro, para anunciar ao rei de Babilonia que a sua cidade está tomada desde um cabo até ao outro;

32 E já os váos estão tomados, e os canaviais queimados a fogo; e os homens de guerra ficaram assombrados.

33 Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: A filha de Babilonia é como uma eira, já é tempo de se debulhar: ainda um pouco, e o tempo da sega lhe virá.

34 Nabucodonozor, rei de Babilonia, me devorou, atropelou-me, fez de mim um vaso vasio, como dragão me tragou, encheu o seu ventre das minhas delicadezas; lançou-me fora. Personagens: Nabucodonosor

35 A violência que se me fez a mim e a minha carne venha sobre Babilonia, diga a moradora de Sião; e o meu sangue sobre os moradores da Chaldea, diga Jerusalem.

36 Pelo que assim diz o Senhor: Eis que pleitearei o teu pleito, e te vingarei da vingança que se tomou de ti; e secarei o seu mar, e farei que se esgote o seu manancial.

37 E Babilonia virá a ser uns montões, morada de dragões, espanto e assobio, sem que haja quem habite nela.

38 Juntamente rugirão como filhos dos leões: bramarão como cachorros de leões.

39 Estando eles já esquentados, lhes darei a sua bebida, e os embriagarei, para que andem saltando; porém dormirão um perpétuo somno, e não acordarão, diz o Senhor.

40 Fal-os-hei descer como a cordeiros ao matadouro, como carneiros com os bodes.

41 Como foi presa Sesach, e tomada a gloria de toda a terra! como tem sido Babilonia tornada em espanto entre as nações!

42 O mar subiu sobre Babilonia; com a multidão das suas ondas se cobriu.

43 Tornaram-se as suas cidades em assolação, terra seca e deserta, terra em que ninguem habite, nem passe por ela filho de homem.

44 E visitarei a Bel em Babilonia, e tirarei da sua boca o que tragou, e nunca mais concorrerão a ele as nações: tambem o muro de Babilonia caiu. Personagens: Bel

45 Sahi do meio dela, ó povo meu, e livrae cada um a sua alma, por causa do ardor da ira do Senhor.

46 E para que porventura não se enterneça o vosso coração, e não temais pelo rumor que se ouvir na terra; porque virá num ano um rumor, e depois noutro ano um rumor; e haverá violência na terra, dominador sobre dominador.

47 Portanto, eis que veem dias, e visitarei as imagens de esculptura de Babilonia, e toda a sua terra será envergonhada, e todos os seus traspassados cairão no meio dela.

48 E os céus e a terra, com tudo quanto neles ha, jubilarão sobre Babilonia: porque do norte lhe virão os destruidores, diz o Senhor.

49 Como Babilonia serviu de queda aos traspassados de Israel, assim em Babilonia cairão os traspassados de toda a terra.

50 Vós, que escapastes da espada, ide-vos, não pareis; de longe lembrae-vos do Senhor, e Jerusalem suba sobre o vosso coração.

51 Direis porém: Envergonhados estamos, porque ouvimos opróbrio; vergonha cobriu o nosso rosto, porquanto vieram estrangeiros sobre os santuários da casa do Senhor.

52 Portanto, eis que veem dias, diz o Senhor, e visitarei as suas imagens de esculptura; e gemerá o traspassado em toda a sua terra.

53 Ainda que Babilonia subisse aos céus, e ainda que fortificasse a altura da sua fortaleza, todavia de mim virão destruidores sobre ela, diz o Senhor.

54 Voz de gritos se ouve de Babilonia, e grande quebrantamento da terra dos chaldeos;

55 Porque o Senhor destroe a Babilonia, e fará perecer dela a sua grande voz: porque as suas ondas bramirão como muitas águas: dar-se-ha o arroido da sua voz.

56 Porque o destruidor vem sobre ela, sobre Babilonia, e os seus valentes serão presos, já estão quebrados os seus arcos: porque o Senhor, Deus das recompensas, certamente lho pagará.

57 E embriagarei os seus príncipes, e os seus sábios, e os seus capitães, e os seus magistrados, e os seus valentes; e dormirão um somno perpétuo, e não acordarão, diz o Rei cujo nome é o Senhor dos Exércitos.

58 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Os largos muros de Babilonia totalmente serão derribados, e as suas portas excelsas serão abrazadas pelo fogo; e trabalharão os povos em vão, e as nações para o fogo, e cançar-se-hão.

59 A palavra que mandou Jeremias, o profeta, a Seraias, filho de Nerias, filho de Maaseias, indo ele com Zedekias, rei de Judá, a Babilonia, no ano quarto do seu reinado; e Seraias era um príncipe pacífico. Personagens: Jeremias, Seraías, Nerias, Maaseias, Zedequias

60 Escreveu pois Jeremias num livro todo o mal que havia de vir sobre Babilonia: todas estas palavras que estavam escriptas contra Babilonia. Personagens: Jeremias

61 E disse Jeremias a Seraias: Em tu chegando a Babilonia, verás e lerás todas estas palavras. Personagens: Jeremias, Seraías

62 E dirás: Senhor! tu falaste sobre este lugar, que o havias de desarreigar, até não ficar nele morador algum, desde o homem até ao animal, mas que se tornaria em perpétuas assolações. Personagens: Seraías

63 E será que, acabando tu de ler este livro, o atarás a uma pedra e o lançarás no meio do Eufrates. Personagens: Seraías

64 E dirás: Assim será afundada Babilonia, e não se levantará, por causa do mal que eu hei de trazer sobre ela, e se cançarão. Até aqui são as palavras de Jeremias. Personagens: Jeremias

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Texto da tradução João Ferreira de Almeida — domínio público.